Páginas

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

DIVINÓPOLIS - O LIVRO PROIBIDO


Capítulo IV

Desvios de verbas
Demétrius apoiava Vladimir, que apoiava Demétrius, que apoiava todo mundo. E no final das contas o atual prefeito não quis saber de apurar o que quer que fosse do governo anterior. Ao contrário, fez questão de aproveitar alguns quadros da antiga administração, certamente porque essa gente conhece o ‘caminho das pedras.’
Quem acusa é a promotora Gisele Silveira Penteado, ao instaurar o Inquérito Civil de nº MPMG – 0223.09.000055 – 3, ainda no alvorecer do governo tucano, em 23/03/2009 – o inquérito só veio a público em 2011.

TRANSCRIÇÃO
Município – Divinópolis
Representantes: De ofício
Representado(s): Construtora Jalk, Consórcio Conserva/Libe, Dárcio Abud Lemos, EMURB – Empresa Mineira de Urbanização, Engeponta Engenharia, Lince Engenheiros e Consultores, Lúcio Antônio Espíndola, Pavisolos, River & Land Projetos, Sabre Engenharia, Selt Engenharia, Trisa Engenharia, Selt Engenharia.
Área(s) de atuação: Patrimônio Público
Palavra(s) – chave: Licitação
Descrição do fato: Fraudes em licitações promovidas pelo Município de Divinópolis para favorecimento das seguintes empresas: Trisa Engenharia, Lince Engenheiros e Consultores, Sabre Engenharia, Pavisolos, River & Land Projetos, Engeponta Engenharia, EMURB - Empresa Mineira de Urbanização, Construtora Jalk, Selt Engenharia, Consórcio Conserva/Libe.

As acusações da Promotora de Justiça se referem a desvio de verbas do PAC – verbas federais, como se disse, bem no início do governo Vladimir Azevedo. Tudo leva a crer ter havido um acerto de contas (contrapartida) por financiamentos da campanha do ano anterior. Não esperaram sequer o ‘veículo’ pegar uma segunda marcha.

De um modo geral os administradores públicos que assumem mandato não se prestam a fiscalizar os antecessores, por uma espécie de aceitação tácita da corrupção, desmandos e incúrias.
Não querem ser fiscalizados lá na frente. Sabem de antemão o bicho que vai dar.

Assim dizia o Bururu Bururu de 14/10/2011:
BURURU BURURU Nº 011 – outubro de 2011
Boletim anárquico/cidadão

Divinópolis entre as 300 melhores
Aproxima-se o período eleitoral e o prefeito marqueteiro vai elevando o tom das inverdades. E faz-se ganhar prêmio da OMEMP, empresa de Brasília, especializada em vender honrarias.
Para o insigne mandatário, um prêmio tem de atender à sua fixação: viagens ao exterior.
Por falar nisso, quando mister James virá? Mister James é o hipotético inglês, professor de tratamento de lixo urbano, que virá para ensinar os especialistas daqui. É o resultado de recente tour pela Inglaterra, com dinheiro público, onde o prefeito conheceu o ‘premiado’ mestre. 
Mas como diz o outro, será na cidade de Colônia, Alemanha, a elevada honra de instalar Divinópolis como uma das 300 cidades melhor administradas do mundo. Ao lado de Granito/PE, antiga Bodocó, (6.500 hab.) Alvarães/AM, (14 mil hab.) Jales/SP, e Parintins/AM, dos bois Garantido e Caprichoso.
Basta somente uma olhada no site da tal Organização Mundial de Estados, Municípios e Províncias (OMEMP) para se constatar que o golpe é antigo. Primeiro, a organização busca credibilidade. Geralmente, pega carona com deputados federais e senadores.
Foi o que fizeram. No início deste ano, a entidade levantou os nomes dos parlamentares mais votados no site da Justiça Eleitoral e arranjou uma solenidade para homenageá-los no Congresso Nacional. Fizeram um cenário com um grande cartaz da entidade ao fundo e tiraram fotos com os políticos mais votados em seus estados. Obtida alguma credibilidade com as fotos através do site, a entidade passou a vender diplomas para as prefeituras de todo o país. Em junho de 2011, por exemplo, eles venderam o diploma para as "100 Cidades Mais Dinâmicas do Brasil".
Agora, a OMEMP está usando a mesma artimanha. Assim, como fizeram com os políticos em Brasília, a entidade está usando a credibilidade de dois grandes eventos de tecnologia, Urbantec e FSB, tradicionalmente realizados em Colônia, Alemanha, para vender para as prefeituras o diploma “300 cidades mais dinâmicas do Mundo”.
Doce tour pela América
Lima é uma desolada capital do Pacífico, onde nunca chove. Espremida entre os Andes e o porto de Callau, a cidade é uma barafunda de trabalhadores informais, cholas, vendedores ambulantes e câmbio de moedas no meio da rua. Abriga um trânsito caótico de muita pressa e profusão de buzinas.
Se divide entre a área conhecida por centro histórico, compreendendo uma série de edifícios coloniais, a Plaza Mayor, a catedral, e alguns prédios das forças de segurança, mais as favelas que sobem os primeiros degraus nos contrafortes dos Andes. E o lado rico, os bairros de Miraflores e San Izidro, onde reside a burguesia peruana. Nas falésias do bairro chamado, por questões óbvias, Barranco, estendem-se vários restaurantes especializados em frutos do mar. Não há praias. O restaurante Rosa Nauta, cujos mariscos são muito apreciados pelos turistas, é uma construção no leito do mar, a duzentos metros das falésias e do Malecón. Tudo naquele país andino é barato. A vida é pobre, mas após a era do Sendero Luminoso é tudo calma. Mas a corrupção é a mesma daqui. Todos se lembram da dupla Fujimori/Montesinos, que anda pagando nos cárceres limenhos o preço da corrupção..

Basicamente o Peru produz cobre, pescados (atum) e outros frutos do mar. Nada mais que se saiba ou interesse. Mas o prefeito Vladimir Azevedo viajou a Lima para encontrar-se com dignatários do lugar, aproveitando sua passagem pela prefeitura de Divinópolis atendendo à sua paranóia: viajar ao exterior com recursos públicos. Quiçá tenha aproveitado a oportunidade para dar uma chegadinha turística a Cusco e Machu Pichu, a 45 minutos de vôo da capital.

A cada viagem uma história diferente, sempre a serviço dos maiores interesses de Divinópolis. Se pudesse falar a verdade, Vladimir diria que anda tomando banhos culturais pelos países considerados interessantes. Antes estivera em Nova Iorque, onde o serviço consular esteve à sua disposição nos dias em que procurava revigorar o inglês. Na sua bagagem, evidentemente, nada trouxe de interessante para o município.
Em seguida esteve em Londres, onde um tal mister James estaria interessado em vir a Divinópolis com o objetivo de ensinar os conservacionistas locais sobre como processar lixo orgânico. Mister James nunca apareceu. E nem nunca aparecerá, 

Escândalo da Veja
O governo municipal, como já se disse aqui, vive de mídias e viagens. Uma das mais interessantes autopromoções aconteceu em 2010, quando, segundo o jornal eletrônico Divinews, gastou-se R$20 mil com a mídia para o objetivo de dar eco a uma citação que jamais foi pautada na realidade.  Não há provas do pagamento que certamente Vladimir fez à Veja, para incrustar o nome de Divinópolis entre as cidades ‘Mais Mais’. E nem recibo da compra das revistas com as quais presenteou amigos, vereadores e autoridades.
Ao revelar que comprara as revistas com recursos próprios, Vladimir Azevedo não foi capaz de sustentar suas afirmações, muito embora tenha recebido variados pedidos da vereadora Heloísa Cerri nesse sentido. O prefeito se nega seguidamente a fornecer dados que facilitem a fiscalização. As verbas para publicidade pertencem a uma caixinha preta guardada a sete chaves. Sua Administração é feita debaixo de sombras e dissimulações.

FALTAM 17 MESES PARA O INÍCIO DA COBRANÇA DAS TAXAS DE ESGOTO

Ligações perigosas – Fabiano Tolentino
O governo do PSDB não congrega um mínimo de critérios quando se trata de oferecer vantagens na promoção de alianças com partidos, pessoas, grupos, seja lá o que for.
Fabiano Tolentino mostrou-se um fenômeno das urnas, quando obteve a maior votação nas últimas eleições para vereador. Antes, é preciso que se diga, havia colocado a Secretaria Municipal de Lazer e Turismo a serviço de sua candidatura. Promover festas e eventos com recursos públicos para tirar proveito político é a sua especialidade. Sabe muito bem quando fala: tomado de ciúmes na campanha que o levou à Assembléia Legislativa, acusava pelos cantos o atual secretário, Rômulo Duarte, de usar os mesmos métodos em favor da eleição de Francisco Martins também à AL. Sem apresentar provas ou evidências, inaugurou o modelo ‘acusações preventivas’.
Quando o vice fracassou, de imediato o prefeito Vladimir Azevedo foi buscar Tolentino para abrigá-lo sob as asas. Mas o neo-deputado, que exibe uma simpatia do mesmo tamanho de seu atrevimento, cobra caro. São cargos e mais cargos para atender à sua goela de leão. Não satisfeito, avançou sobre a Secretaria de Agronegócios, instalando ali seu companheiro Paulo Marius, que por sua vez, escancarou as portas para o deputado.
Sua presente exigência está ligada ao financiamento de eventos rurais por parte da Secretaria comandada por Marius, de modo que as despesas resultantes recaiam sobre a Administração Pública, e por consequência, sobre a população. Feira de Produtos Rurais no Parque de Exposições e Encontro de Comitivas, em Santo Antônio dos Campos, foram algumas dessas promoções. A abertura de lagoas em fazendas amigas também faz parte da Secretaria de Agronegócios. O vereador Adair Otaviano possui fotos de pelo menos de uma delas.

A cartilha mentirosa
Para coroar seu enorme balcão de perfumaria, o insigne deputado estadual Fabiano Tolentino, mandou imprimir luxuosa cartilha (sempre com dinheiro público) para anunciar R$12 milhões, sim senhores, R$12 milhões de investimentos no município de Divinópolis e região.
De imediato se soube que era mais uma dessas mentiras auto-propulsoras urdidas por profissionais da mídia, a mando do deputado, que o Pinga-Fogo buscou apurar com o seguinte ofício:

Ao
Exmo Sr.
Deputado Estadual
Fabiano Tolentino
A/C Assessoria Divinópolis
Em mãos
Divinópolis, 04 de outubro de 2011

Prezado senhor;



Com relação aos enunciados contidos no livreto ‘Nove Meses’, distribuído por vossa assessoria, apraz-nos congratularmos com V. Excia por tantas e tão importantes conquistas.
Na oportunidade gostaríamos de contar com a vossa habitual presteza, no sentido franquear a esta publicação, documentos pertinentes a cada uma das verbas elencadas no folder, tais como: depósitos referentes a cada um dos enunciados, extratos bancários identificando verbas liberadas, assinaturas de convênios, e tudo o mais que possa esclarecer aos contribuintes origem e finalidade das referidas verbas.

Sendo o que se nos apresenta para o momento, e na expectativa do atendimento deste nosso pleito, subscrevemo-nos;

. 



Editora Centenário Ltda
Jornal Pinga-Fogo

Não houve resposta.

Claro que no primeiro ano de legislatura não é possível (até por questões técnicas) a liberação de verbas, porque o Orçamento é votado no ano anterior. Liberação das chamadas verbas de representação ou Emenda Parlamentar, para os novos deputados somente no ano subsequente de legislatura.
Mas no tal folder tem de tudo. Até a liberação de verbas federais para a construção de UPA – Unidade de Pronto Atendimento, que nada têm a ver com aquele mandato, está relacionada no seu “Nove meses – Nasce um novo tempo”, que está sendo chamado de ‘Nove meses, o parto que não houve’.
A lista que vai na capa posterior, desabrida, sem nenhum pudor, mostrando uma sucessão de feitos que não aconteceram, sugere que Fabiano Tolentino navega na mesma direção da tucanagem, que faz da mentira a sua principal arma.
Já de início, na sua ânsia de aparecer, se apropriara das reivindicações do então deputado estadual, Domingos Sávio, no projeto de Aécio, agora de Anastasia, denominado, Estradas Faltantes. É o asfaltamento de trechos como o que liga o posto Karrão a Igaratinga, ou Cacoco a São Sebastião do Oeste. A situação agora tomou o seguinte formato: se sair o asfaltamento, os méritos ficam para Domingos Sávio; se não sair, a culpa é de Fabiano Tolentino. Foi ele mesmo quem quis assim.

OS.
O Livro ‘Divinópolis – O Livro Proibido é inserido neste Blog a cada 15 dias, sendo que a versão impressa sairá no mês de maio de 2012.

FALTAM 16 MESES PARA A COBRANÇA DAS TAXAS DE ESGOTO.
O VALOR?  75% DO TOTAL DA CONTA DE ÁGUA. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Capítulo III


Divinópolis – O Livro Proibido


Oligarquias ou Máfia?
Nunca em 100 anos de emancipação político/administrativa, Divinópolis se viu numa situação análoga à de agora. A cidade está loteada entre duas oligarquias: Martins e Mourão. As duas fecharam questão em torno do predomínio absoluto da cidade, como se tratasse o município de um feudo, e os cidadãos apenas um complemento que não podem dispensar.
O arremate do acordo aconteceu depois de seguidas reuniões nos bastidores, quando os caciques Jaime Martins Filho e Domingos Sávio dividiram o espólio chamado Divinópolis.
Entenda a situação:
Jaime Martins Filho, o primeiro deputado federal eleito por Divinópolis afastou-se de sua base local. Depois de cinco mandatos consecutivos para o mesmo cargo, tendo expandido seu curral eleitoral pela extensão de quase toda Minas Gerais, parece não enxergar maior futuro no posto onde está atualmente. Quer ir além, para outros altares, sem, no entanto, ter se credenciado através do embate político, das discussões e lutas pelas causas sociais. É um político acomodado, de bastidores.
A eleição do antigo adversário Domingos Sávio parece ter sido a gota d´água para o seu desânimo. Domingos é insinuante, ativo, empreendedor, muito embora falastrão, (ele é a favor da CPI da Corrupção no Congresso, e não se manifesta, claro, sobre as daqui. Corrupção para ele é só nacional! Municipal não!) enquanto que Jaime Filho mostra-se cada vez mais reticente, contido, distante. A indecisão que já era uma característica pessoal do deputado, mostra-se ainda mais aguda depois de enredado na teia dos tucanos. De mãos beijadas entrega seu patrimônio político, como alguém que entrega os dedos para não perder os anéis, numa perfeita inversão da lógica.
Sobre a divisão do espólio esqueceram-se de avisar aos votantes, encarregados de julgá-los a cada eleição. E a de 2012 contém ingredientes muito particulares – como se verá - e não poderá ser manipulada como querem os dois grupos.
Instalados na doce Brasília de tantos percalços, o par de deputados manipula duas marionetes locais bastante manobráveis do ponto de vista político, e esses, por sua vez, administram a chalaça que os cerca. De um modo geral, desempregados eternos ou frustrados de carreira, como acontece em todo lugar. Nesse caso gasta-se um pouco do estoque de fubá.
Jaime Filho controla Fabiano Tolentino e Domingos Sávio manipula o prefeito Vladimir Azevedo. O sorridente Fabiano Tolentino mostra-se desde o princípio um deputado insosso e improdutivo – em visita ‘técnica’ às obras do Mineirão, integrando a Comissão de Obras da Assembléia Legislativa, declarou não ter observado qualquer indício de desvio de verbas naquele processo de reconstrução. Uma simples visita de quem nada entende de edificações, e uma opinião tão decisiva a respeito daquele ninho de marimbondos.
Parece que lhe deram um brinquedo tecnológico que ele admira, mas não sabe manobrar. Tolentino se elegera inicialmente como vereador, distribuindo ingressos de shows para uma juventude alienada, que tanto se lhe dá quem seja eleito – eles querem é rosetar! E o autor deste livro escrevera certa vez uma crônica dedicada a ele ‘Uma estrela sobe’. Quanto arrependimento! No entanto é preciso reconhecer que o rapaz traduz uma simpatia infinita pelo seu sorriso plastificado.
Mas o neo-deputado não se peja e nem se constrange quando vem a público com recursos do contribuinte mineiro para enumerar uma série de ‘feitos’ que não foram feitos, mas que no papel podem render votos. O livreto intitulado ‘nove meses’ (o slogan é, valha-nos Deus todo poderoso, ‘esse faz a diferença!) parece vindo da lua, ou representa o final de uma gravidez que não houve, imaginária.
Tolentino, por sua vez, controla ruma que se faz de desentendida, muito preocupada com o próprio umbigo, na luta pela sobrevivência. Mas já inspirou novos ‘tolentinos’, que doam ingressos, convidam para festas e realizam ‘jornadas de caridade’ de olhos postos nos votos do eleitorado jovem. Os mais maduros e conscientes, porém, não pretendem cometer de novo a besteira.
Por seu lado, o prefeito Vladimir Azevedo abriu mão de toda a sua antiga fleuma para render-se ao peculato. E irá pagar sozinho por isso. É padrinho e garantidor de Simonides Quadros, o tucano que controlou com mãos de ferro e luvas de seda o sistema de calçamento de ruas do município, enquanto houve recursos disponíveis. É o prefeito que mais distribuiu verbas publicitárias aos acólitos e dono do maior reboliço de marketing em torno do projeto mais impopular de sua Administração: a entrega dissimulada e covarde do esgotamento sanitário à Copasa. Logo ele, que quando vereador, era contra.
Como administrador, o prefeito Vladimir Azevedo vem se celebrizando por seguir a bíblia tucana que insinua: mentir, mentir, mentir. Uma mentira dita cem vezes - como já citado anteriormente – vira verdade. Era a tese defendida por Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler e livro de cabeceira do tucanato mineiro. E querem saber porque a cúpula tucana de São Paulo não aprovou e nem aprovará jamais a candidatura de Aécio Neves à presidência da República? Porque não confiam nos tucanos mineiros e muito menos em Aécio.
Resume-se, portanto, no seguinte: aquilo que se configura nas boas ditaduras brancas como oligarquia, transforma-se em máfia quando é empreendida uma articulação temerosa contra um grupo populacional. Não há outra definição mais branda para identificar grupos e facções que operam em sentido contrário às aspirações populares, ainda que conhecedores dos prejuízos que irão causar.

Peculiaridades das eleições de 2012
Um governo insensível não percebe as transformações. Fica cego e absolutamente alheio à realidade que o cerca. O poder, de tão inebriante, alucina e cega.
Aqui se faz uma reflexão sobre a interação candidato/cabo eleitoral e suas consequências. A fragilidade das candidaturas, a ausência de carisma pessoal (Tolentino é uma exceção - bom carisma, pessimamente usado) a falta de competência administrativa ou legislativa, e até mesmo de uma cultura genérica, provoca um fenômeno nocivo à sociedade: o cabo eleitoral.
São figuras do cotidiano político, algumas das quais, politizadas, mas que à falta de boas condições de sobrevivência, - e isto advém da falta de cultura acadêmica que lhe nega bons empregos – abrem mão da dignidade e dos princípios mais básicos.
Cabo eleitoral é um ‘cafetão político’ dentro da sociedade. A classe é capaz de mascarar e falsear sua cesta eleitoral, como se vendesse cosméticos do Paraguai. E fazem isso de olho no futuro. Não no futuro da população, da sociedade, mas sim no futuro próprio, que em caso de vitória poderá vir acompanhado de uma sinecura, um encosto de quatro anos.
Entretanto não se pode confundi-los com os abnegados que agem por instinto e ideologia. Como foram antigamente os petistas, como é hoje boa parte dos integrantes do Partido Verde.

Frase ouvida na Prefeitura Municipal de Divinópolis, de um funcionário veterano para um novato: ‘Fica trabalhando não, fulano! No serviço público a gente não trabalha! Se você fica dando duro aí, mostra que a gente está no ponto morto. Relaxa!!’   

Identificados os cabos/eleitorais e suas ações deletérias, fica fácil entender porque o serviço de uma Administração Pública nem sempre funciona como convém. Não é somente a burocracia que emperra os trabalhos. A obstrução vem do próprio sistema, que impõe a presença de leigos (cabos eleitorais) em meio a técnicos e servidores de carreira. Esses, muitas das vezes, lamentavelmente, se reportando àqueles. Os resultados não podem ser piores.   
    

A chinelada
Dentre as peculiaridades anunciadas neste capítulo, está o cerco às associações de bairros, empreendida por parte do PSDB. As eleições de presidentes são objeto das preocupações constantes e zelo permanente. Querem instalar um parceiro/líder em cada bairro. Tratam-nos a pão de ló e presenteiam com micro-computadores, boa parte dos quais, já em mãos dos filhotes. No domingo, 25 de setembro de 2.011 aconteceram eleições na Associação de Moradores dos bairros Afonso Pena e Santa Clara. Nas vésperas o prefeito havia passado por lá, dando tapinhas nas costas e distribuindo abraços. O candidato de Vladimir Azevedo era o morador Donga, acólito e governista de carteirinha. O presidente do PSDB local, Luiz Militão, (petista convicto que virou tucano desde menininho) mais o vereador Rodyson Krishnamurti, percorreram as ruas da região cabalando votos no trabalho de convencimento pela chapa 2, capitaneada por Donga. Fala-se até em pagamento (R$5,00 e R$10,00) em dinheiro vivo por voto de morador carente. Os agraciados, segundo dizem, botavam o dinheiro no bolso e votavam na chapa 1, de Josafá Anderson, que venceu de goleada a disputa: 305 a 129 votos.
Em outros bairros, como São Roque, Quintino e adjacências, a batata governista está assando e a derrota parece se avizinhar. A população anda insatisfeita com a Administração. A Secretaria de Obras tem muito a ver com a situação. Lembram-se daquela promessa da Semoudes de recuperar o muro de contenção na creche do Quintino, onde a cratera continua do mesmo jeito quase um ano depois? A Administração pode esquecer das promessas, mas os atingidos não esquecem.

Mais vereadores
Prefeitura e Legislativo se encarregaram da conspiração que veio pregar mais uma peça nos eleitores divinopolitanos. Em sintonia com a Administração Pública os vereadores votaram em segundo turno o aumento do número de parlamentares para as próximas eleições, como era do desejo de Vladimir Azevedo e também dos nobres edis. Esses, pelo temor de saírem derrotados nas urnas. Imaginam que um número maior de cadeiras os favorece na disputa.
A Vladimir interessa um número maior, já que as siglas de aluguel estão todas debaixo do braço. A matemática é interessante: quanto maior o número de cadeiras, maior o número de candidatos. E mais candidatos significa mais cabos eleitorais para a reeleição. O preço, como se viu, se paga depois, admitindo grande quantidade desses ‘colaboradores’ na folha de pagamentos. A imprensa obsequiosa ganha enormes quantidades de verbas publicitárias. Basta observar as páginas e as grades de cada um dos meios de comunicação ‘oficiais’ para ter a constatação.
O próximo prefeito precisa extinguir a Secretaria de Comunicação, ou reduzi-la para três componentes. Atualmente se for ordenado que todos tomem assento, não haverá cadeiras para todos. São mais de trinta se amontoando em espaços reduzidos.

Os que votaram a favor do aumento do número de vereadores
Adair Otaviano
Anderson Saleme
Antônio Paduano Pereira
Beto Machado
Edmar Rodrigues
Geraldinho da Saúde
Hilton Aguiar
Milton Donizete
Pastor Paulo César
Roberto Pedro Bento

Votaram contra, Edson Sousa e Rodyson Krishnamurti. Heloísa Cerri esteve ausente, por motivo de congresso médico nos EUA.
As 13 cadeiras atuais foram aumentadas para 17. 
                                
Novos tempos
Mas desta vez a votação contou com novos ingredientes. Um grupo de jovens interneteiros fez uso da Rede para convocar simpatizantes e eleitores conscientes com a finalidade de influenciar na votação. Lotaram o plenário da Câmara. A preocupação oficial pode ser medida pela quantidade de vezes que o vereador Rodyson se ausentou do plenário para telefonar ao prefeito. Nesses momentos os jornalistas mais gaiatos correm para o setor de imprensa da Câmara e colam o ouvido na porta. Dá para escutar tudo.
Poucos observadores detectaram os efeitos da massificação feita pelos manifestantes via internet, que somada às forças políticas conscientes, impediram que o desastre fosse maior. Boa parte dos vereadores, senão todos os oportunistas que votaram a favor da alteração, pleiteavam o aumento para 21 membros para o legislativo. A mobilização popular provocou o freio inesperado. E assim não foram além dos 17, segundo eles, um número aceitável do ponto de vista da economia interna da Câmara. Essa opinião contradiz o Relatório do próprio legislativo que recomendava a manutenção de treze. O presidente da casa argumentou que os dezessete trarão maior representatividade popular. Felizmente todos sabem que o argumento não encontra respaldo na razão e menos ainda na lógica. Não há representatividade alguma onde os parlamentares são despachantes do prefeito.
Em entrevista à TV caseira, o presidente da Câmara (um dos seis pré-candidatos de Jaime Filho a vice de Vladimir Azevedo) e incentivador do aumento de vereadores, revelou que o STE havia errado em ordenar a diminuição dos elencos de vereadores no país. Eles, os parlamentares de Divinópolis, estavam apenas restabelecendo o status anterior, com dois a menos. Se pudesse dizer a verdade ele diria que brigava para que fossem tantos edis quanto possível, mostrando serviço ao verdadeiro chefe do Legislativo, (o prefeito) por estar de olho na vice. E que não havia necessidade alguma de promover a alteração.
Durante o episódio o mesmo presidente exibiu seu lado intolerante, quando ordenou que as vassouras (ato simbólico) portadas pelos manifestantes fossem retiradas do plenário. O que foi feito.
Durante as pequenas escaramuças verbais, o manifestante Artur Dentista deu mostras da burrice oposicionista. Os representantes de Geraldinho da Saúde, (vereador favorável ao número máximo de vereadores) exibiam faixas (também pacificamente) mostrando a opinião do vereador. Artur exigiu aos berros que os simpatizantes de Geraldinho abaixassem as faixas. O presidente mandou que assim o fizessem. E as faixas da oposição em número muito maior também tiveram de ser enroladas. Com uma oposição dessas o governo não precisa de governistas.
Sobrou do evento o riso debochado de Hilton Aguiar e Geraldinho da Saúde, afrontando a plateia. Diante deles se destacava a placa com os dizeres: ‘O troco virá nas eleições de 2.012.

Particularidades
Até aqui as eleições de deputados faziam aflorar o sentimento de cidadania, com os eleitores pouco se importando com a agremiação, doutrina, ou qualquer outra qualidade do candidato. Houve até reunião na ACID (1993) para administrar o número de candidatos: quem fosse melhor avaliado seria o candidato oficial da cidade. Jaime Martins Filho foi então eleito pela primeira vez com apoio de todos os segmentos da sociedade. Bastava a condição de cidadão divinopolitano, com chances de eleger-se, para que recebesse o voto. Havia um idealismo que aos poucos foi sendo esvaziado pelo próprio comportamento do representante. Aquilo que se restringia ao município e vizinhanças ganhou lugares tão inusitados quanto o norte e noroeste de Minas. Já não havia mais identificação entre as partes. A política de quintal virou política profissional. O remédio seria a Reforma Política, com a inserção do voto distrital. Situação da qual os deputados correm como o diabo da cruz. Uma questão de obviedade: se o parlamentar vê-se queimado em determinado município ele pode correr em busca de outro. Com o Distrital isso se torna impossível. A dependência pontual de uma região fechada faz com que o eleito seja fiel ao mandato, caso contrário ele não se reelege.
Com um estado inteiro franqueado, a base eleitoral é usada pelos deputados apenas como plataforma de lançamento. Esta é a razão pela qual aos poucos eles abandonam as bases (que já estão debaixo do braço) e partem para novas freguesias, maximizando mais e mais a quantidade votos, fazendo imaginar que são parlamentares competentes. Uma coisa puxa a outra.

Mas é a auto-confiança exagerada que leva ao impasse as lideranças políticas que deixaram de conhecer e avaliar a realidade. Há vozes surdas pelas ruas, rumores de insatisfação que se avolumam, responsáveis por processar automaticamente as transformações.
Pela primeira vez as oposições se mostram dispostas a não aceitar a incômoda imposição de dar tempo ao tempo, porque os medalhões só podem colocar candidaturas depois do mês de maio. Na realidade isto quer dizer que os políticos não desejam correr riscos. Precisam conhecer primeiro os desdobramentos e pesquisas para depois se manifestarem. Dependendo das escolhas, pegam os parceiros desprevenidos. E esses se sentem traídos mais uma vez.
As recentes declarações do deputado Jaime Martins Filho sobre postergar as decisões políticas, como de costume, quando na realidade já existe o acordo com o governo municipal do PSDB para as próximas eleições, levam a considerá-lo desde já parceiro dos tucanos, sem necessidade de esperar a undécima hora, em que as oposições estariam desmobilizadas. Mesmo que haja entendimentos posteriores, esses não terão como retroagir ao status de antes.
Jaime Martins Filho faz acordos inaceitáveis contrariando os antigos parceiros, entrando para a órbita do governador Anastasia e seus companheiros de partido. Pode ser o fim da tradicional geração política iniciada em Nova Serrana por seu avô, Benjamim Martins, sustentada posteriormente pelo falecido Jaime Martins do Espírito Santo, pai do atual deputado. Esse tinha posições políticas bastante definidas.

Em Divinópolis a igualdade racial tem a espessura da pele
Surpreende a docilidade dos negros locais para com o chicote que os açoita. Na cidade o racismo, a discriminação racial, social e econômica é exercida de modo bastante visível. Os limites e divisões são reconhecidos à distância. E mais surpreendente ainda é ver como os arianos administram esse distanciamento racial, fingindo abrigar coração abolicionista.   
Movimentos sociais como o MUNDI – Movimento Unido Negro de Divinópolis, comandado por um antigo sindicalista, Geraldo Cubu, se dispõe a interagir com agremiações que os apóiem, sejam elas de quaisquer orientações ou vertentes políticas. Atualmente o MUNDI opera sob a batuta do PR de Jaime Martins Filho. Querem verbas e recursos para ações ainda muito pouco claras. Para isso se ajoelham diante dos novos patrões e se aliam aos dominadores, engrossam suas fileiras, ainda que abandonados nos mesmos guetos de sempre. O grande herói da negritude nacional, Zumbi, haveria de revolver-se na sepultura, caso tivesse conhecimento do que vem acontecendo por aqui.
Tudo faz parte de uma dependência extrema do sistema e suas ONGs milagrosas, que antes de ensinar a pescar, dão o peixe. Mais que amparar e valorizar a raça, o MUNDI espreita o futuro político (tem esse direito e deve exercer esse tipo de cidadania) confiando a chave do cofre, ou das urnas, a partidos políticos que nada acrescentam ao movimento ou às suas aspirações. Um se vale do outro. Aquele com recursos angariados da União e esses devolvendo o favor com votos. Ou seja, ao vender a consciência, continuam atados às antigas correntes e troncos do passado. A performance é vergonhosa!
Já os reinadeiros se renderam ao poder econômico e político a troco de dois metros de chita. A tradição agora resume-se em vestir os políticos e suas parceiras de reis e rainhas para festejar as datas comemorativas, tendo como recompensa muita batata e cachaça à vontade.
Não se pode exigir muita consciência política dos batuqueiros. Mas seus dirigentes sabem muito bem quão relapsos se mostram, quando promovem e entregam um movimento puro e singelo nas mãos ávidas de políticos sequiosos por votos. O negro sem consciência vende a própria alma para os brancos. Geralmente por um preço que não merece.
Os que se acharem contrariados por essas afirmações, que busquem por garçons e atendentes pretos nos bares de Divinópolis, ou apresentadoras de televisão, atores, manequins, jornalistas, na mesma proporção do número de negros moradores da cidade. Mas por serviçais não precisará procurar muito. Os negros de Divinópolis são mais oprimidos que em outros locais com a mesma população afro-descendente.   

Peleguismo
As bases sindicais de Divinópolis foram assentadas nos patamares de Rede Mineira de Viação, quando os movimentos grevistas se alvoroçavam a cada vez que o pagamento dos ferroviários atrasava. Na década de 1960 houve uma longa paralisação. As oficinas pararam e os operários faziam comícios na avenida 1º de junho, proximidades do Theatron.
Eram movimentos fundados, baseados na falta de pagamento dos salários e outros direitos que os ferroviários começavam a reivindicar. Numa dessas ocasiões o governador de Minas, Milton Campos, açodado pelos auxiliares no sentido de reprimir com violência a greve, virou-se para um deles mais exaltado e respondeu com a sabedoria que lhe era peculiar: ‘não seria mais razoável enviar o trem pagador?’      
Hoje os trabalhadores de Divinópolis estão sem a representatividade dos sindicatos, quase todos tomados por pelegos que se eternizam no cargo. São absolutamente servis aos patrões por acordos feitos nos bastidores e vantagens pessoais obtidas com o cargo. São dominados por partidos políticos, quando antes mantinham combatividade.
Um exemplo desse peleguismo é o Sindicato dos Trabalhadores Municipais, o Sintram, ocupado pelo PC do B e sua prócer, Valéria Morato, que abriu mão de seus princípios políticos mais elementares para se curvar ante o PSDB. O motivo? Cargos. Valéria ascendeu ao posto de Secretária Adjunta de Educação e na companhia do pelego, Silvânio Alves, finge defender a classe trabalhadora municipal, que se mantém na mais perfeita letargia. 
A última façanha de Valéria Morato foi instalar na Tribuna Livre da Câmara um comunista de Belo Horizonte, com endereço falso de Divinópolis, para impedir a participação de populares na primeira votação do aumento do número de vereadores. Como opositora ao governo de Demétrius Pereira, se esgoelava junto com seus comunistas no plenário da Câmara, em oposição à privatização do serviço de esgotamento sanitário. Hoje faz parte da claque de Vladimir Azevedo (outro que era contra) nas reuniões com que tentam justificar a privatização. A esse respeito é triste destacar a presença de funcionários municipais em horário de trabalho nas diversas reuniões e por quaisquer motivos.
Nos demais sindicatos o mesmo comportamento e a mesma eternização nos cargos. Não se ouve falar em eleições sindicais nesta cidade. Seus dirigentes preferem manter-se no esquecimento e anonimato convenientes.

Maçonaria – interferência política
Vladimir Azevedo, Francisco Martins (prefeito e vice) Jaime Martins Filho, Domingos Sávio, Fabiano Tolentino, (deputados) Edson Sousa e Beto Machado (vereadores) são membros da maçonaria.
Nada contra os maçons, mas parece que nesta cidade, para transformar-se em político de carreira, é pré-requisito pertencer àquela fraternidade.
O problema é que a ordem maçônica guarda certas regras e preceitos,  e no meio disso está a exigência de que seja preservada extrema lealdade entre seus membros. O que descaracteriza o sentido antagônico que valoriza a política partidária – observe-se que nesta relação apenas o vereador Edson Sousa é dissidente. O restante comunga as mesmas ideias. E isto é demasiado preocupante, por cristalizar a suposição ‘os maçons contra o resto da cidade’. E são exatamente esses os boatos correntes, dando o sentido de ‘conspiração’ à atuação conjunta dos políticos dentro da maçonaria.
Entretanto, ainda vigora a estimativa de que a irmandade é objeto da manobra política de resultados, e que seus membros tradicionais são postos à margem do processo. Como aquela sociedade é secreta, não há como se certificar das eventuais contradições. A verdade é que a fraternidade maçônica não pode ser catalisadora dos destinos de toda a população.     
   
Mais ilegalidades
A incúria como regra e não exceção orienta o governo Vladimir Azevedo. É sabido, é notório, é lógico, que um funcionário público está proibido de prestar serviços particulares ao órgão no qual está lotado, sob pena de demissão sumária. De modo especial por causa das informações privilegiadas.
E foi com informações privilegiadas da Secretaria de Cultura, onde trabalha sem muita frequência, que a agente cultural e funcionária pública municipal, Selma Bosque, colocou seu time em campo objetivando captar recursos para o setor cultural, com ênfase nas peças teatrais.
Alertado pela imprensa mais combativa, o sacrossanto e inalcançável prefeito municipal fez ouvidos de mercador e a moça continua tão funcionária pública como antes, e captadora de recursos como nunca. A publicidade da Patmoss pode ser conferida atualmente na TV Integração.
É mais uma improbidade administrativa que pode ser debitada na conta do prefeito Vladimir Azevedo, que de certo se imagina acima do bem e do mal. Em qualquer lugar do mundo a atitude de Selma Bosque daria barulho. Mas não em Divinópolis, onde o mal está definitivamente banalizado por sucessivas levas de administradores tucanos.
O também produtor cultural Fernando Camilo pediu prestação de contas da entidade SAB – Sociedade Amigos da Biblioteca, através da Câmara Municipal.
Antes de mais nada é preciso destacar que a SAB, sob a presidência de Inácio Vasconcelos, pretendeu ser uma entidade séria, na sua criação. Figuras importantes da vida literária de Divinópolis, como José Carlos Pereira e Adélia Prado marcaram presença na sua fundação.
O que era um órgão lastreado pelas melhores intenções, é hoje usado pela citada Selma Bosque para finalidades privadas. Por ser amiga e protegida de Vladimir Azevedo, conta com a cumplicidade do Secretário Bernardo Rodrigues, e demais gestores da Cultura de Divinópolis.
Tanto Bernardo, quanto Vladimir, executores musicais apenas sofríveis, não perdem ocasião de exibir-se a cada oportunidade para a claque que os acompanha em cada evento. Esse mesmo cuidado não têm no que se refere à atuação ilegal da amiga Selma Bosque, que continua lépida e fagueira na condução de seus negócios particulares ligados à relapsa Secretária de Cultura. 

Pagar para morrer
Nunca antes e nem em tempo algum o assunto havia sido levantado por quaisquer administrações públicas. Afinal de contas os cidadãos pagam contas desde a data do nascimento. E na hora da morte funerais caríssimos para os padrões brasileiros.
Mas a Prefeitura acha que não. Criou então a famigerada ‘Taxa dos Cemitérios’, segundo diz, para manutenção das áreas, muito embora o IPTU urbano cobrado anualmente devesse também ser destinado a esse fim.
Mas a taxa veio acompanhada de uma sutileza bem ao estilo desse governo que dissimula os malfeitos e suas atitudes marginais. Ninguém mais é dono de espaços físicos nos cemitérios. Para quem comprou e pagou uma fração dessas áreas públicas para estar seguro nos momentos mais graves da vida, basta atrasar uma das taxas para ter os restos mortais de seus familiares desenterrados e jogados na vala comum. Sem qualquer aviso; desta vez, sem choro e nem vela.    
O absurdo está em curso, em pleno funcionamento, com ossadas já banidas de suas covas no cemitério do centro, mas o silêncio obsequioso impera. Ninguém quer comprometer esta administração que prometeu tanto e tão pouco tem realizado.



FALTAM 18 MESES PARA O INÍCIO DA COBRANÇA DAS TAXAS DE ESGOTO. DEUS TENHA PIEDADE DE DIVINÓPOLIS!

A obra ‘Divinópolis – O Livro Proibido’ está sendo divulgada capítulo a capítulo nos dias 1º e 15 de cada mês, sendo que a edição impressa será distribuída no mês de maio de 2012.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Divinópolis - O Livro Proibido

por Itamar de Oliveira

Capítulo II

ESTA É A COPASA QUE O PREFEITO CONTRATOU PARA TRATAR O ESGOTAMENTO SANITÁRIO DE DIVINÓPOLIS POR 40 ANOS. A COPASA QUE DEIXA FALTAR ÁGUA EM 38 BAIRROS DA CIDADE E PROVOCA REVOLTA NAS COMUNIDADES.

ELE ERA CONTRA A TERCEIRIZAÇÃO E AGORA É A FAVOR. E COBRANÇA DA PENA SOMENTE EM 2013, DEPOIS DAS ELEIÇÕES. OS TUCANOS DUVIDAM DA MEMÓRIA DOS DIVINOPOLITANOS E DA SUA CAPACIDADE DE RACIOCINAR.

O marketing não parou nem quando os cidadãos se desesperavam pela falta d’água.

Corrupção a serviço da reeleição

Em pronunciamento no plenário da Câmara Municipal, a digna vereadora Heloísa Cerri fez acusação seriíssima à Administração Vladimir Azevedo. Palavras da vereadora: ‘Dentro daquela prefeitura foi instalada verdadeira quadrilha!’ A se julgar pela maneira dissimulada com que foi celebrado o acordo partidário entre Prefeitura Municipal e COPASA para tratamento do esgotamento sanitário, não é difícil chegar a esta conclusão. Em tudo por tudo constitui-se em verdadeira farsa.

Pelo menos a uma dessas vilanias pudemos acompanhar de perto. A Secretaria de Obras foi tomada por parceiros políticos de Vladimir Azevedo, que não tiveram como esconder o fato de que nunca estiveram a serviço da população. Ao contrário, todos operam em prol da reeleição do prefeito, e eleição deles próprios a vereador. Simonides Quadros e seu penduricalho Eustáquio Ferrugem estão à frente das pequenas obras nos bairros. Com o pouco que existe tentam criar um clima de ‘tocador de obras’ para o prefeito. Tarefa difícil, em que pese os esquemas recorrentes nesse sentido.

O chefe deles é o secretário Adilson Quadros, que embora tucano de alta plumagem, tem pouca autoridade sobre seus comandados. Ao postar-se no centro do tiroteio, Adilson Quadros fica desorientado e perde o respeito dos subordinados. Contudo a última palavra é sempre do prefeito, (que ajuda minguar-lhe a autoridade) seja ela republicana ou não.

Como funciona a pilantragem

No ano de 2010 havia recursos para o calçamento de 57 quarteirões no âmbito de toda a cidade na modalidade inventada nos tempos de Aristides Salgado: a prefeitura entra com terraplenagem, pedras, e para finalizar, a compactação. A mão de obra fica por conta dos moradores do quarteirão. É a maneira de fazer engordar as verbas sempre insuficientes face o desvio para outras finalidades menos nobres: uma delas, comprar a opinião da imprensa. Em recente pagamento feito com bastante atraso à empresa Sabre Engenharia por serviços prestados, havia rubricas de quase todas as secretarias. Ou seja, sem recursos de caixa, avançaram sem a menor cerimônia nas verbas de outras secretarias.

Havíamos constituído uma empresa para participar dos calçamentos. Como a temporada ainda não havia sido aberta, - porque nada se faz nesta Administração sem muita propaganda – de imediato obtivemos uma firma (Auto-peças Daldegan - Rua Braulina Michelini – LP Pereira) que aceitava pagar todas as despesas, incluindo pedras e terraplenagem para a pavimentação do quarteirão onde se localiza. Havia por lá muito barro e poeira (dependendo da estação) e precisavam dotar a área de infraestrutura. Mas em poucos dias o proprietário ligou para informar que Simonides Quadros prometia a doação de todo o material, mais terraplenagem e compactação. E que além do mais havia oferecido seu empreiteiro para assumir os trabalhos de calçamento. Sendo assim dispensava os nossos serviços. Só muito depois é que conseguimos demovê-lo da idéia de dispensar-nos. E fique claro que sempre nos demos bem com a empresa Auto Peças Daldegan, que tratava, como se deve, de seus legítimos interesses. A denúncia apenas explica que não há qualquer critério para escolha dos beneficiados. Seja rico, seja pobre, o interesse político está sempre à frente. O primeiro quarteirão ao nosso encargo, gerou também o primeiro desentendimento com o adjunto, lobo que veste pele de cordeiro para a torcida.

O fato é que ao ver-se ameaçado na sua vontade de fazer o que bem entendesse, Quadros se viu espremido por uma nova realidade. Quem chegava de pronto detectou os seus objetivos pessoais. Na ocasião sentenciou-nos: ‘vocês não ficarão muito tempo nesse ramo!’ Claro que o recado foi entendido como ameaça prestes a ser cumprida, como de fato foi.

Simonides (com a cumplicidade de Eustáquio Ferrugem) passou então a obstruir toda e qualquer tentativa da nossa empresa de trabalhar, embora nem a própria administração pudesse criticar a boa qualidade dos serviços prestados. A maneira de obstruir: quando tem pedra não tem máquina para cortar a rua; quando tem máquina, não tem pedra. Ou inventam outro problema qualquer. Com as seguidas interferências, o calceteiro é tangido para outra frente de serviço, quando a equipe é desfeita pelas circunstâncias. Ao perceber o elenco se desmanchando, a dupla sutilmente libera uma frente, para fingir estar promovendo justiça e equilíbrio. A perseguição gerou desarmonia e desconfiança entre os calceteiros em relação à empresa contratadora, por enxergarem total ausência de futuro ali. O terrorismo sobre os operários é também constante e por esse motivo fica difícil, senão impossível. manter a disciplina. Simonides Quadros e Eustáquio Ferrugem são dois malfeitores da política e vão encabeçar a lista ‘Em quem não votar em 2012’ do boletim Bururu Bururu e jornal Pinga-Fogo.

O cancro da corrupção

O método usado para distribuir as ruas (na verdade quarteirões) é o seguinte: a primeira metade vai para os vereadores da base. Esses são mantidos sob rígido controle (votando tudo o que o Executivo ordena) pela conquista de dois ou três quarteirões para calçamento em suas regiões eleitorais. Vereador de oposição não participa do espólio. Os outros 50%  são guardados debaixo do braço e destinados a fazer política. Ficam aos cuidados de Simonides Quadros. Então ele e seus ‘sócios’ pintam e bordam.

O vice-prefeito Francisco Martins também gosta de atuar na área e mandou calçar diversas ruas de parceiros e financiadores de campanha. Simonides Quadros e um dos seus sócios (garantem) Toninho Belvedere ficaram com a totalidade dos quarteirões do bairro Bela Vista e Belvedere. É por ali que o rapaz pretende chegar à vereança. Já Eustáquio Ferrugem atua nos bairros Dona Rosa, Santa Rosa, Nações. Também oferecendo o que não é seu: pedras e serviços de calçamento.

A corrupção está justamente na distribuição viciada das autorizações, sugerindo que se trata de associação criminosa, já que não existe qualquer argumento que desminta essa constatação - a CPI do Calçamento, com a desculpa da ‘falta de verbas’ não quis contratar auditoria independente para fiscalizar os mapas de distribuição de ruas e volumes de pedras despendidas. O que foi apresentado chega a ser risível, face a pobreza dos disfarces. O presidente da Câmara na ocasião era Edmar Rodrigues, hoje líder do prefeito no Legislativo. Nunca houve licitação, como querem fazer crer as Vladimiretes (boquistas profissionais que dependem desesperadamente do emprego. São camaleões que se transformam em Dominguetes, Galiletes, Demetretes, dependendo dos seus interesses, para entrar nos sites noticiosos anonimamente dando palpites a serviço da contra-informação. As licitações acontecem somente quando as verbas são estaduais, canalizadas por deputados. E não era esse o caso.

Corrupção a granel

A prefeitura não reconhece o desvio de material. Entretanto proibiu que transportadores particulares e da própria empresa fornecedora carreassem pedras calçadinhas adquiridas pela Administração. Isto significa que, embora os gestores não tenham passado recibo, entenderam que a comporta se abre é quando o transporte foge de suas mãos. E por esse motivo a proibição. Somente os veículos da prefeitura estão hoje em dia autorizados a fazer os carretos.

Em meio às ruas onde inicialmente a empresa Siboney Serviços Ltda (de nosso gerenciamento) realizou calçamentos, tem o enigmático caso da rua Califórnia, no bairro Dona Rosa.

A área de pavimentação já estava completada quando chegou um caminhão da Dibrita carregado com 10 metros cúbicos de pedra. O motorista disse que aquele material era para ser descarregado ali. De imediato os trabalhadores do canteiro responderam que acabavam de finalizar a obra e que não havia necessidade de mais material. O motorista revelou então que não estava entendendo, porque tinha ordens de trazer mais 10 caminhões para aquele endereço. Em seguida coçou a cabeça e disse desolado: ‘já sei para onde eu levo!’ E seguiu para o Belvedere.

Em outras ocasiões cargas completas de calçadinha restavam pelas ruas depois de terminados os calçamentos. Ninguém se incomodava em resgatá-las. O material desaparecia em seguida. Na rua Francisco Teodoro da Silva, - às margens do trevo, no Bom Pastor, na qual é localizada uma única empresa - pavimentada por ordem de Francisco Martins, sobrou um caminhão de pedras. Convocados para verificar o desvio, ninguém da Secretaria de Obras deu bola para o desperdício. Na Câmara não havia disponível nem transporte e nem fotógrafo para flagrar a burla. Mas uma comissão de um só vereador (Antõnio Paduano) esteve no local. No outro dia não havia nem sombra de pedras no lugar. E não bastasse mais esse ‘muito obrigado’ por financiamento de campanha, o contribuinte ainda pagou por material desviado. Foram inumeráveis as denúncias nesse sentido. Todas elas ignoradas.

CPI do Calçamento e a Lei de São Francisco

Desde o início foi um fiasco. Primeiro de tudo porque houve uma falha de estratégia do Executivo, fazendo com que o Presidente da Câmara elegesse como Relator o oposicionista Edson Sousa. E como presidente da CPI o vereador Hilton Aguiar, que em princípio parecia permear uma linha independente. A CPI tinha tudo para progredir na direção correta, quando os governistas viram a gafe cometida.

Foi então que o prefeito convocou em seu gabinete um por um dos vereadores até então considerados independentes, para negociar apoio. Conseguiu a maioria usando o expediente de sempre, a Lei de São Francisco: é dando que se recebe. A partir daí não haveria mais oposição, exceto por Heloísa Cerri e Edson Sousa.

Em seguida o vice-prefeito Francisco Martins expulsou o Relator da CPI, Edson Sousa, do PDT – o vice é presidente do partido – e vereador sem partido não pode participar de comissões. Em seu lugar instalou como Relator o vereador governista Antônio Paduano Pereira. Até que saiu o resultado que dizia tratar-se de denúncia vazia.

De fato, nos moldes em que foram apuradas, as denúncias soavam realmente como que vazias, porquanto não houve esforços por parte dos governistas de fazer qualquer tipo de apuração. E deixados à vontade, quem falava nos bastidores se esquivou de testemunhar ao vivo e em cores. Sequer aconteceu a necessária acareação entre quem denunciava e quem testemunhara os fatos. E nem diligência alguma.

Durante as ‘apurações’ aconteceram ameaças, omissões, ocultação de depoentes (o calceteiro José Moacir da Cruz foi mantido fora de circulação por vários meses, (chegou a circular a notícia de que ele estava morto) com a promessa de que quando voltasse seria beneficiado, E foi o que aconteceu. Não se esqueceram da ajuda e Moacir foi aquinhoado com uma frente de serviço, certamente como forma de pagamento pela ‘lealdade’.

Ainda durante a CPI era denunciado o asfaltamento em propriedade particular com maquinário e funcionários da prefeitura na empresa Ponto Duplo, localizada no trevo rodoviário. Tudo comprovado e fotografado. Mereceu ampla reportagem do Divinews. A CPI, claro, fez vistas grossas. O serviço de pavimentação, até então feito no pátio interno da indústria, foi concluído nos últimos dias com o asfaltamento da área externa que já havia sido calçada - ali também o cheiro do favorecimento ilícito enche as narinas. Há também denúncias dos próprios compradores de pedras desviadas. ‘Essa gente vem aqui e me oferece pedra mais barata que as mineradoras’ – disse um deles. Ninguém se interessou em conferir. E existe nome, endereço, e o resultado dos desvios espalhados pelo chão.

Isso nunca recebeu atenção dos responsáveis pela Secretaria de Obras e nem da CPI. Fica evidente que a farsa leva direto à omissão do prefeito, que fez de tudo para enterrar a Comissão, mais preocupado do que tudo, com os recursos da COPASA para a sua reeleição.

No decorrer das ‘investigações’ acontecia um fato interessante. Quando faltavam recursos para compra de material e os pagamentos atrasavam com a Dibrita, a administração justificava as paralisações, dizendo que elas aconteciam ‘em respeito’ ao andamento da CPI. Mas se entrava um recursinho, aí o ‘respeito’ deixava de existir. O nome disso é cara de pau.

O arrependimento de Judas

Neste momento alguns dos vereadores cooptados dão sinais de terem se arrependido do acordo feito com Vladimir Azevedo. Os governo não teria cumprido o combinado. O diálogo que o boletim ‘Bururu Bururu’ publicou, envolvendo o vereador Hilton Aguiar e o Secretário João Luiz (Pancho) de Oliveira é significativo.

- Se vocês não resolverem minha situação (liberação de material) eu mudo o resultado desta CPI – reclamou o vereador, presidente da Comissão.

- Calma, Hilton, calma! Vamos ver o que podemos fazer! – respondeu Pancho pelo celular.

O vereador que fala o que quer em público acaba de avisar no plenarinho: ‘O prefeito quer o número máximo possível de vereadores. Tem de ser 21! – em flagrante contraste com a opinião pública.

O diálogo anterior a este foi publicado no boletim ‘Bururu Bururu’ sem ser desmentido em momento algum.

A certa altura da CPI, quando informações e futricas voavam por todos os lados, chegou a notícia inusitada: a um dos empreiteiros tinha de ser repassado imediatamente um quarteirão para calçamento. Devido os grandes intervalos de liberação, ele ficara sem recursos para cumprir os compromissos.

Ligações perigosas

A grande verdade é que os responsáveis pela distribuição de quarteirões, com Simonides Quadros e Eustáquio Ferrugem à frente, aproveitam-se da inocência das pessoas simples que compõem o quadro de empreiteiros do calçamento, fingindo atendê-los, para guardar para si e demais ‘sócios’, a parte do leão. Por esse motivo são mantidos grandes intervalos entre uma liberação e outra. Como pais de família e com gastos incontornáveis, esses empreiteiros são obrigados a ‘comer’ o próximo quarteirão sem ao menos tê-lo começado. Quando precisam recomeçar os serviços, pagam os trabalhadores com dinheiro emprestado.

Mas daquela vez o empréstimo fora feito com um, digamos, agricultor da famosa cannabis sativa. E como se sabe, traficante costuma ser bonzinho, mas não perdoa. Foi um corre corre dentro da Secretaria Adjunta de Obras para arranjar uma rua para o rapaz calçar e com os recursos gerados quitar a dívida. A Administração não queria vínculos com aquela história.

Aliás, parece ter sido celebrado uma parceria informal entre essa administração e o tráfico. No ano passado a vítima foi o Guarani, sob a presidência de Edilson de Oliveira, que já ocupava cargo de confiança na prefeitura. Edilson e nem a sua diretoria têm a menor culpa no caso. Eles apenas queriam safar uma onça momentânea do clube. O prefeito prometera apoio ao Guarani e como é da sua prática se omitiu. Ele que dissera na posse daquela diretoria em detrimento das anteriores: ‘agora a administração do Guarani vai ser profissional!’.

Sem recursos para tocar o time (em dois anos ainda não foi pago 1 centavo sequer de INSS – quando as ações trabalhistas dispararem vai ser um caos) enviaram o pobre do Reloginho (um faz-tudo e também Secretário Adjunto para Assuntos Financeiros do Guarani) ao morro da Pitimba trocar um ‘bom para’ com o chefe do tráfico. Torcedor ferrenho do Guarani, o rapaz não pensou duas vezes: afinal os cheques eram do vice-presidente, moço de bons princípios e advogado de profissão. Quem acompanha o futebol conhece o Reloginho e sabe também o final da história: Reloginho foi tomar café de canequinha na Floramar, apenas por ter ido trocar cheques-pré para o nobre objetivo de salvar o bravo Bugre. Os cheques haviam sido detectados pela polícia em mãos do benemérito.

Final da CPI

Quando o resultado da encomenda (CPI do Calçamento) chegou com o que chamaram de (denúncia vazia) o prefeito ficou à vontade para colocar nova ordem nos serviços de pavimentação e convocou os empreiteiros no pátio da prefeitura para reunião decisiva.

Ficou prometido que todos teriam ruas em profusão para calçar e também os que fizeram altos rolos dentro do sistema receberiam os favores. Até o Moacir Cruz foi resgatado de seu esconderijo. Entretanto ficasse claro que não seriam liberados serviços ‘para um jornalista aí! Não passar nem perto da Prefeitura será um favor que ele nos fará!’ – esbravejou ele, saindo da liturgia que deve acompanhar essa magistratura.

Simonides e seus sócios ficaram então de mãos livres para manobrar as coisas ao seu estilo. E foi o que fizeram.

Finalmente, na metade de setembro de 2011 ficou decidido que a dupla deixaria a pasta adjunta para assumir o pátio. Poucas pessoas se deram conta da estratégia. Simonides, como se sabe, é apadrinhado do prefeito.

Lá no pátio reclamavam muito do Dreyfuss Rabelo, titular daquela área, por um motivo simples: ele fazia a turma trabalhar. E se tem coisa que boa parte ali evita é justamente isso: o trabalho.
Mas a atitude foi tomada somente depois que as verbas para calçamento se exauriram. Como não tem mais pavimentação poliédrica, Vladimir precisava deslocar seu protegido para lugar visível. E uma boa vitrine é a chefia do pátio, com muitas máquinas e recursos onde ele poderá fazer o que mais tem feito nos dois últimos anos: bajular gente poderosa com seus bons préstimos. Dreyfuss Rabelo saiu porque, igualmente, como candidato a vereador, queria mostrar serviço. E Simonides forçou a barra para o seu (dele, Dreyffus) deslocamento. Aquilo ali é um filé que não podia ficar em outras mãos, senão que na do protegido do prefeito, o bajulador emérito, Simonides Quadros. Divinópolis perderia enormemente se o elegesse a qualquer cargo público.

A corrupção tem boca, mas não fala, tem olhos, e não vê

A Polícia Federal tem um programa ‘denúncia premiada’ em que uma anistia em grau crescente ameniza e pode até perdoar crimes de corrupção dependendo, claro, do nível de participação do indiciado. Esse é o motivo pelo qual recorrentemente aparecem filmagens de entregas de maços de dinheiro a políticos e assessores motivando escândalos nacionais. Cada um quer salvar a própria pele. Apenas os diretamente interessados e envolvidos podem produzir o milagre das imagens no momento da entrega do dinheiro garimpado pela corrupção, geralmente nas estatais e empreiteiras.

O jornalismo investigativo tem a capacidade de conferir a história apenas até certo ponto. Nos momentos críticos faltam-lhe os instrumentos legais para maiores averiguações. E é somente a partir do imponderável que se vê obrigado ao uso da ciência analógica para chegar a constatações.

a) Qual o motivo para Simonides Quadros invariavelmente entregar as obras a determinados empreiteiros, sem que houvesse uma parceria financeira entre eles? Seria o Adjunto um bom samaritano? Dono de um grandioso coração?

b) Por que motivo os desvios de pedras poliédricas foram sempre ignorados e saíram do controle da Secretaria de Obras?

c) Se as denúncias eram vazias, porque então a restrição a transportadores particulares daí em diante?

d) Ao dar apoio irrestrito ao seu subordinado, o prefeito não incorreria no mesmo tipo de incúria administrativa? Ou o conjunto de ações estaria visando formação de caixa de campanha?

f) Para Simonides e seus companheiros nunca houve estiagem nos serviços de pavimentação.

Quando aconteceu um pequeno intervalo, a ânsia do Adjunto em voltar ao cenário levou-o a urbanizar todo o estacionamento da sede campestre do Divinópolis Clube, - onde está presidente - o que tem gerado altas desconfianças entre os associados. O advogado Verdi Barreto, um dos diretores da saudável administração Palmério Ameno, maldiz até hoje o fato de tê-lo feito (Simonides) presidente da instituição. Este declarou na CPI que a pavimentação na sede do clube foi objeto de reunião da diretoria. Mas entre os que foram procurados ninguém soube dizer ao certo em que data, hora, e nem onde foi realizada a tal reunião. E principalmente, se houve a reunião. E não acreditem muito em atas de reuniões de clubes sociais. Quando o bicho pega elas costumam ser elaboradas rapidamente com datas retroativas.

No momento corre um boato de que o presidente do Divinópolis Clube estaria entregando a sede urbana da entidade para a prefeitura como pagamento de impostos atrasados. Embora se trate apenas de boato, é bom que os associados estejam de olhos abertos, porque essa turma não capina sentado não.

A ausência de respostas a essas perguntas é que transportam os observadores do campo magneticamente perfeito ao espaço sideral das ideias difusas. E confusão mental inspira a burla, o falsete, a lama, a perversão administrativa, a corrupção, enfim.

Frente de Prefeitos
Esse governo que se atribui importância maior do que realmente tem, acaba de ver seu prefeito escolhido (na verdade indicado por Anastasia) para a Frente Estadual de Prefeitos, ou coisa que o valha. Anastasia conhece a vaidade dos pavões locais: basta soprar que eles abrem a cauda. Que Dentro da metafísica política, essa Frente teria ligações com a Frente Nacional, com a Internacional, e quiçá, com a Celestial.

O boletim Bururu Bururu já alertava: essa Frente é coisa inventada pelo delírio político e não tem importância alguma na ordem do dia.

Mas a Administração usou dinheiro do contribuinte para fretar ônibus (e a Câmara outro) para que o jornalismo amestrado viajasse a Ouro Preto, com tudo pago, para assistir à façanha do chefe do Executivo: sua posse na cadeira imaginária. Teve gente que achou tão bom e inspirador, que resolveu dormir com a namorada por lá mesmo. Nada contra dormir com a namorada, mas gastando dinheiro público aí já é demais! Os dois fazendo as camas rangerem na noite ouropretana e nós aqui pagando a conta.

Poucos dias depois, em conversa com o diretor de uma empresa do ramo de comunicação visual, confidenciaram a este autor a confecção de duas placas para a tal posse, no valor de R$700,00. E que não haviam sido pagas, por mais que insistissem e reclamassem.

O último diálogo (diálogo?) entre o diretor da empresa de comunicação e o secretário da tal Frente, cujo escritório fica em Belo Horizonte é revelador:

- Rapaz, estou cansado de ligar para você! Uma mixaria dessas e vocês se recusam a pagar! Olha, não vou ligar mais não; vou mandar o título para cartório – indignou-se o diretor.

E de lá veio a resposta:

- Pode mandar para onde você quiser. Aqui não tem recurso algum! Nem este telefone é da Frente.  E continuou: eu sou empregado e não vou virar dinheiro para te pagar não! Manda para o cartório, ou para ou quintos dos infernos!
Este é o retrato verdadeiro da Frente Mineira de Prefeitos, que queima verbas do município para retratar o prefeito como herói e deitado em cima da carne seca.

Pane na comunicação

Os pauteiros dos variados órgãos de comunicação locais entraram em pane nos últimos dias, face o inusitado. Em plena efervescência da publicidade massiva com que Prefeitura e Copasa fazem empurrar goela abaixo dos divinopolitanos o contrato de tratamento do esgoto sanitário, (vai ser difícil  digeri-lo) sobreveio o caos. Quase metade da população de Divinópolis sem água potável. Sem investimentos, o sistema emperrou. E não havia como não noticiar, sendo mais volúveis e obsequiosos do que têm sido.

Resultado: como que saído de uma história em quadrinhos, TV e jornais mostravam de um lado as excelências do tratamento da água, com publicidade regiamente paga pela Copasa, ademais da ‘despoluição do rio Itapecerica’ apregoada pela prefeitura. Do outro lado a população revoltada, sem água sequer para tomar banho, fazer comida, para as necessidades básicas.

É como o soldado que comete um erro e castiga a si mesmo batendo com o cassetete na própria cabeça.

O contrato com a Copasa

O governo Vladimir Azevedo tem ganhado notoriedade pelo lado avesso, o da mentira recorrente. A ordem é mentir, mentir, mentir, para tudo virar verdade. São tempos de mitomania. Essa tática é do próprio comando do PSDB mineiro, que viu Aécio Neves sair amplamente vitorioso das urnas por duas vezes, falando em ‘Déficit Zero’, ‘Choque de Gestão’ quando na verdade a dívida pública de Minas Gerais (impagável, segundo o próprio Aécio) passou de R$15 bi para R$67 bi na sua gestão.

Na reunião realizada nas Obras Sociais do Santuário de Santo Antônio, na sexta-feira, 9 de setembro, a presidente do PV Iris Moreira fez o prefeito beijar a poeira do chão. Ele que evitava se explicar em público sobre a questão ‘Copasa’, finalmente foi pego na ratoeira montada por ele próprio.

Antes de mais nada o prefeito publicou (ele assegura) no jornal Minas Gerais a assinatura do documento, quando deveria fazê-lo na imprensa local. Ao evitar os zelosos meios de comunicação que cobrem suas mazelas cotidianas e pintam com tintas fortes seus feitos esquálidos, ele confessa o seu temor de desnudar-se para os contribuintes de Divinópolis, sabendo de antemão que cometera deslize e ato de traição para com a população inteira da cidade. E é bom lembrar que ele foi eleito com apenas 30% dos votos válidos, o que significa mais ou menos 15% da população do município.

Quando Vladimir Azevedo garante ter assinado o documento no dia 1º de Junho último em conjunto com o governador Antônio Anastasia, ele mente despudoradamente mais uma vez. Os papéis foram assinados apenas pró-forma, uma vez que se tratava de documentação preliminar – a assessoria de Vladimir Azevedo levara o calhamaço errado ao palanque do desfile de aniversário onde se encontrava o governador. O contrato oficial somente foi assinado no dia 29 de junho seguinte. Para quem acusara (na reunião do Santuário) a assessoria da vereadora Heloísa Cerri de incompetente, pegou mal, mas muito mal!

A população de Divinópolis tem de estar ciente e da nossa parte iremos bater na mesma tecla o maior número possível de vezes: o início da cobrança dos 75% da pena d’água como taxa de esgoto somente em março de 2013 é puro maquiavelismo desta administração, para que não seja mostrado o sacrifício da população antes que as eleições do ano que vem tenham acontecido. Ou seja, o prefeito quer reeleger-se a qualquer custo, por quaisquer meios.

Os capítulos deste livro estão sendo publicados em série, com postagens nos dias 15 e 30 de cada mês. A versão impressa sairá no mês de maio de 2012.

Próximo capítulo: 30 de setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Divinópolis – O Livro Proibido

por Itamar de Oliveira

Apresentação

Principio por dizer que me custa razoável sacrifício divulgar este livro de características especiais, para um município limitado a degustar biografias de seus vultos mais importantes, ou preocupado em deslindar a sua própria história.

Estou ciente de que, lamentavelmente, provocarei constrangimentos. Porém, alguém tem que falar. A população não deve sobreviver na escuridão forjada pelos meios de comunicação volúveis, por trás da cortina de fumaça lançada pelos conhecidos ‘Chapa Branca’ com a finalidade de solapar a verdade e fazer vistas grossas para as incúrias administrativas. Evidentemente que não carrego a veleidade de ser a ‘palmatória do mundo’, até mesmo porque em outras ocasiões bebi na mesma fonte, muito embora com muito menos sede.

Na condição de analista político por mais de vinte anos em variadas publicações locais, venho carregando sobre os ombros o peso dos resultados originários dos embates infinitos a que me proponho, me confrontando com o ‘idealismo’ dos políticos, limitado à retórica, se contrapondo à prática do jornalismo objetivo. Discutem-se e compram-se alianças, fazem-se coalizões, coligações, buscam-se adesões, tudo como se fosse um mero exercício de comprar pão na padaria. As negociatas são feitas em dinheiro vivo, imóveis, ou cargos de confiança, como se verá mais adiante.

Isso resulta em atrasos irreparáveis para sociedade, em ingovernabilidade que clama pela troca de favores, em mentiras dirigidas à população, porque os esquemas saem caro para os bolsos dos contribuintes e eles devem viver na ignorância. Mentira robusta custa dinheiro e cargos – Nicolló di Machiavelli inferia: ‘dividir para governar.’

Pessoas reconhecidamente honestas e capazes transformam-se da noite para o dia em tiranetes ou lacaios do poder, entregando de mãos beijadas tudo o que for de dignidade, crenças pessoais, valores familiares, tudo. Dificilmente alguém escapa da abdução automática, a exemplo de gado transportado em vagões, como foram os judeus tangidos para Treblinkla e Sobibor.

As agremiações estão mais para máfia do que para partidos políticos. As cúpulas enxergam a realidade, mas se acumpliciam aos mal feitos, ou quando nada, fazem vistas grossas para a desonestidade dos parceiros. Ninguém censura ninguém. Não se sabe o dia de amanhã.

Sustentando falsos ídolos, renegando as origens e a verdade, Divinópolis entra no Centenário pela porta dos fundos da política municipal, estadual e federal.

Importante reconhecer que a cultura é recorrente, sem ser prática exclusiva do atual governo – mas por favor, não retirem essa frase do seu real contexto.

Os vícios eleitorais chegam ao absurdo de fazer uma doença tão terrível quanto o câncer virar moeda de troca nas eleições. Um candidato a vereador (Nilmar Eustáquio) comete o absurdo de transacionar com empresa que nada tem a ver com o combate à doença, mas que arrecada em nome dela. Outro, - que já foi acometido realmente pelo câncer - simplesmente raspa os cabelos no período pré-eleitoral para mostrar-se como vítima ao seu eleitorado, aproveitando um restinho do apelo cancerígeno. A tropa de choque do prefeito desinfeta os gabinetes da Câmara porque o homem não tolera oposição. Vanícia Rocha (Secretária Geral da Câmara e protegida de Vladimir Azevedo) evoca-se a condição de deusa e faz o que bem entende. E é ousada. A própria impunidade encoraja. Contando com a proteção do prefeito cujos tentáculos dominam o Legislativo, ausenta-se no período de trabalho, viaja, faz gastos desnecessários, uso de carro oficial para levar filho à escola, articula novos apostilamentos e reapostilamentos, como se o poder não fosse algo fugaz e efêmero. Os 13 vereadores da atual legislatura, com exceção de Heloísa Cerri, Edson Sousa, formam a alegre ala da situação. Muitos cargos e favores (relacionados mais à frente) passam por aqueles corredores. É uma permanente viagem no Trem da Alegria.

Agora, se algo ameaçar o Chefe, o aparato de contenção é mobilizado imediatamente para dar combate aos organismos estranhos e tudo voltar à normalidade. Fogem das convulsões e das próprias mentiras como o diabo foge da cruz. Da estabilidade do Chefe depende seus empregos (geralmente são pessoas de pouca expressão e uma leva de desempregados, mas fiéis como cães de guarda) cada qual instalado em uma das centenas de vagas que são franqueadas aos acólitos. Certos personagens não saem do circuito. Entra governo, sai governo, lá estão eles, firmes e fortes. Dessa gente é que não se pode esperar nada.

Entre os oligarcas deve circular um livro de cabeceira com instruções sobre como combater as oposições. Estas são invariavelmente taxadas de ‘irresponsáveis’, ‘descompromissadas’, ‘denuncistas’, e geralmente marginalizadas, com evidente segregação social e política. É a maneira arrevesada de retirá-las (as oposições) do contexto. São tidas como bolhas ‘perigosas’, ‘articuladoras do mal’, e brindadas com o máximo desprezo. Não percebe, a classe política, que esse tipo de monitoramento libera o zinabre da corrosão, os ácidos da ferrugem, que aos poucos irão consumi-la. Lixo debaixo do tapete tem preço de armazenagem.

Havia uma roubalheira de pedras poliédricas destinadas a calçamento. Favorecimentos ilícitos aconteciam a todo instante e ainda hoje acontecem. O prefeito foi alertado, o secretário de obras, Adilson Quadros foi avisado, mas nada fizeram (usaram ouvidos de mercador) para impedir a tunga comandada pelo Adjunto, Simonides Quadros, graduado de patente na farsa politiqueira, bajulador e corrupto, ademais de candidato a vereador– não cola mais essa de ‘minha única herança é o nome que meu pai me deixou’. Soa como habeas corpus preventivo.

Foi então que fizemos a denúncia à Câmara, encarregada de fiscalizar o Executivo. Foi instalada uma CPI, que veio a ser conhecida como CPI do Calçamento. A tropa de choque, incluindo a imprensa solícita, moveu mundos e fundos para matar no ninho a Comissão.

A farsa foi consolidada quando o PDT expulsou maldosamente o vereador de oposição Edson Sousa, (então Relator da CPI, que expulso, ficou impedido de prosseguir na relatoria) dos seus quadros, acomodando em seu lugar o vereador Antõnio Paduano Pereira. Paduano, como se sabe, não vota contra governo algum. E fez um relatório de acordo com a encomenda.

O presidente da Comissão Parlamentar, vereador Hilton Aguiar, cooptado (confessadamente) pelo Executivo, só agora, depois de ver promessas não cumpridas, revela que ‘se fosse hoje eu conduziria a CPI de maneira diferente.’ Agora é tarde, exceto se a Promotoria Pública acordar de sua eterna letargia e levar em consideração o Relatório Paralelo a ela enviado pelo vereador Edson Sousa. O Relatório aponta as inumeráveis falhas do processo – esse Relatório, ou uma sequência de observações críticas, será transcrito nos capítulos seguintes.

Mas enfim, Divinópolis tem na política dos grotões o modelo consolidado. Não há em todo o espectro o que se convenciona chamar de ‘direita, centro, esquerda’. Não há ideologia e nem respeito a quaisquer estatutos. Somente a volúpia do poder. Quem se esgoelava ontem contra Prestes, Krushev ou Fidel, está hoje nas fileiras do PC do B – ou nos partidos socialistas – boa parte das vezes sem sequer ter a noção exata do que seja ‘socialismo’. E quem frequentava as passeatas dos Anos Chumbo, clama agora pela volta dos militares. Um aranzel que ninguém sabe aonde vai dar. O que vale é o balcão de negócios do governo, que paga aos seus fieis o preço que eles nem de longe merecem.

A entrega do esgotamento sanitário à Copasa apenas por ‘dever partidário’; os gastos de valores espetaculares com a mídia para propagandear a suposta ‘Despoluição do Rio Itapecerica’, que nem está nos planos internos da empresa; o uso da máquina pública para beneficiar os ‘amigos e colaboradores’; as viagens desnecessárias ao exterior com dinheiro dos contribuintes, a tentativa de reeleição a qualquer custo, nos faz refletir como cidadãos, se esta é a cidade que todos nós queremos para os nossos filhos e netos.

Mas uma coisa podemos garantir: Divinópolis não será mais a mesma depois que a opinião pública tiver conhecimento dos fatos que serão narrados neste livro.

O autor

Capítulo I 
Programa de governo ou obsessão pelo poder?

Devo confessar de público, que o Coronel Pedro Magalhães de Faria é boa gente. Ele e a sua esposa, Sônia Terra sempre me trataram muito bem e com distinção durante os cerca de vinte anos de idas e vindas em que prestei serviços ao Jornal Agora. Eu penso terminar minha tarefa ligada ao jornalismo, se vivo for, em 3 de outubro de 2012. Nem um dia a mais.

Mas para que o distinto público tenha conhecimento de como funciona o intercâmbio entre jornalismo e poder, é preciso antes de tudo esclarecer o mito de que meios de comunicação não podem estar do lado de facções políticas ou mostrarem-se parciais e solidários nos seus comentários e enunciados. Sejam a favor ou contra. Os próprios jornais e emissoras de TV dos EUA desmentem essa versão. Democratas e Republicanos e até os comunistas em plena terra de Tio Sam, contam cada qual, com os grupos de comunicação simpáticos às suas causas. Entretanto, alinhavam-se e se prendem, obedecendo a tradições político/partidárias, filosóficas e ideológicas. Nunca exclusivamente por motivos financeiros.

Diferentemente, no Brasil é fato raro ligação com tais estruturas. Jornais e emissoras de rádio simplesmente não podem prescindir dos poderes públicos na lida da sobrevivência. E sendo assim abrem mão da independência editorial. Sem outra opção, a opinião é vendida, como no mercado de frutas se vende banana e mamão. Desse modo, quem paga pode divulgar falsas notícias, (geralmente se gabando de algum feito) através do mais sensitivo órgão a serviço da mentira, o jornalismo.

Com a banalização, os recursos para aplacar a sede da opinião ligeira devem ser cada vez maiores. Como as verbas não saem do bolso de quem as concede fica fácil.

Dois grupos se alternam no poder paralelo em Divinópolis. Jornal Agora e Grupo Mayrinck. Ora um, ora outro, ‘ganha’ a eleição. Com Vladimir ganhou o Jornal Agora, que apostou no tucano e jogou suas fichas na dupla Vladimir/Francisco - da minha parte, sinceramente, eu não acreditava na dupla. A não ser bem às vésperas das eleições, como seria lógico. Aí foi constatado o seguinte: Vladimir não teve adversários à altura para debater os temas políticos com ele. A partir do encontro na TV Integração começou a ficar delineada sua vantagem sobre os demais. Não ganhou pela sua competência, mas pela incompetência dos demais. É opinião cristalizada nos meios políticos de Divinópolis.

A obsessão pelo poder faz com que sejam traçados planos que envolvem a ‘inteligentzia’ importada de outros centros. Coisas demoníacas sacadas da mente doentia do ‘cientista político’ Antônio Faraco, um estrangeiro que veio dar ordens em Divinópolis.

Roberto Pedro Bento lança-se candidato a prefeito sem a mínima chance de sair vitorioso. Jorge Torquato vagueia pelo mesmo caminho. Ambos estão a serviço dos tucanos na busca pela divisão dos votos. Quando ambos afrontam os eleitores o fazem conscientemente, sabendo que estão a serviço de Vladimir Azevedo. Roberto Pedro Bento sempre esteve ao lado do poder, seja ele qualquer um; Torquato anda fixando bancos de madeira em praças públicas, como se fossem presentes dele para a população, mas na verdade ele consegue os bancos graciosamente com a Administração.

Na era Galileu Machado o poder estava nas mãos do Grupo Mayrinck, que chegou a comandar uma agência de Belo Horizonte na prestação de serviços à administração peemedebista.

A PRP Propaganda do publicitário Paulo Bocca é a agência que ganha as contas de Prefeitura e Câmara nos governos tucanos. Se acaso a empresa fica de fora, entra como extensão da firma vencedora. De um jeito ou de outro a agência é contratada. Embora a PRP preste bons serviços, a maneira com que é contratada é totalmente anti-republicana.

Secretaria de Comunicação

Essa é um caso à parte. Não pode arvorar-se de séria uma administração que cria cargos de confiança para abrigar jornalistas dos jornais parceiros. Até porque há jornalistas devidamente concursados para ocupar esses cargos. São jovens que precisam trabalhar, mas que são preteridos em nome dos conchavos. Claro que na partilha do bolo o órgão do qual o contratado é originário vai levar vantagens imensas sobre os demais. No caso da Secretaria de Comunicação o titular (embora ocupe o cargo de Adjunto) é Wallon Delano. Diz-se amigo pessoal do prefeito, quando na realidade faz parte da cota do Jornal Agora. Uma espécie de problema trabalhista que a Pemafa precisava resolver. E ficou bem resolvido.

No princípio as verbas são contidas, parcimoniosas, mas com o andar da carruagem as cravelhas vão se afrouxando e começa o desperdício. E quem sabe (dizia Vandré) faz a hora, não espera acontecer. O grande volume de verbas despendidas com o cantor Daniel na abertura da Divinaexpô 2011 está sendo objeto de investigação do Ministério Público. Denunciado pelo Divinews, e pela vereadora Heloísa Cerri na Câmara, o cachê de R$120 mil do cantor havia se transformado rapidamente em R$320 mil. Em qualquer lugar do mundo isso leva o nome de roubo, de desvio de verbas públicas, mas em Divinópolis, pelo contrário, haverão de arranjar uma justificativa para o descalabro – o cantor Rodrigo Bergall da sofrível vertente do axé, realizou inúmeros shows a pedido da prefeitura com cachê de R$20 mil por apresentação, quando se sabe que no mercado local da música esse valor não ultrapassa os R$3 mil. Que tipo de urdidura existiria aí? Como a prefeitura não disponibiliza os gastos com publicidade, estima-se que tenha despendido perto de R$5 milhões com os órgãos solícitos, afora esses cachês superfaturados que os tais cantores jamais viram antes. No caso da propaganda institucional ela era e continua sendo (pois dura até os dias de hoje) perfeitamente dispensável, mas a despeito de ‘despoluição do rio Itapecerica’ esconde-se a febre da reeleição a qualquer custo.

Neste particular a máquina pública é usada à exaustão. Na segunda-feira, 29 de agosto, concentrava-se na Câmara Municipal uma enxurrada de professoras do ensino público municipal – quanto às professoras estaduais o prefeito não as tem sob cabresto. Pelo contrário, elas odeiam as políticas salariais do PSDB e seu governador Anastasia, a quem esconjuram quando e onde podem. Em pleno horário de trabalho lá estavam os organizadores de uma tal ala feminina do PSDB, com a claque previamente convocada. E elas que não compareçam! – uma delas reclamava (exibindo um livreto do encontro) para quem quisesse ouvir: ‘esse prefeito só sabe fazer propaganda pessoal!

O Ministro Nazista da Propaganda, Josef Goebells, dizia: uma mentira repetida cem vezes vira verdade. E parece que o tucanato opera por essa bíblia. A edição do “Minas sem Censura” edição de junho de 2011 conta a história das mentiras de Aécio Neves e de seu governo midiático, que em oito anos de paralisia conseguiu infundir na idéia dos mineiros tratar-se o neto de Tancredo Neves de um bom político. O propalado Déficit Zero do governo Aécio, o tal Choque de Gestão mostraram-se escandalosamente inverídicos: o economista divinopolitano e professor da Unicamp, Fabrício Augusto de Oliveira, (uma das autoridades monetárias mais importantes do país) a equipe de Aécio produziu aquilo que chamou de ‘Contabilidade Criativa’, transferindo dívidas e apagando déficits, promovendo tremenda barafunda nas contas estaduais, Claro, para confundir. A dívida estadual que era de R$15 bilhões, subiu a mais de R$70 bilhões no decorrer de seu governo.

O Senador é conhecido por suas molecagens. Apanhado dirigindo bêbado no Rio de Janeiro, recusou-se a soprar o bafômetro e foi liberado depois do famoso: ‘sabe com quem está falando?”. Mas para seu azar, o registro do automóvel de luxo desnudou a propriedade de uma emissora de rádio em Belo Horizonte que mantém em seu nome vários automóveis de luxo, apesar da sua modesta posição no ranking das comunicações. A emissora pertence a Aécio e Andréia Neves.

O tablóide de oposição, ‘Minas sem Censura’ classifica o governo Aécio Neves de ‘estado de exceção’, já que a mídia anulou a população pensante durante anos e anos. Divinópolis não pode se queixar da ausência do governador, em que pese todas as vezes tivesse vindo de mãos vazias. Mas nem isso serviu para alertar os divinopolitanos que lhe deram maioria qnando se candidatou ao governo do estado, além de prestigiar e eleger o sucessor Antônio Anastasia. Agora Senador, se fala em Aécio para presidente, mesmo tendo ele dado todas as indicações do que poderia fazer à frente de cargo tão importante.

Copiando integralmente o chefe tucano, Vladimir Azevedo disparou a máquina publicitária e institucional para forjar uma reeleição fácil. O contribuinte local está pagando mídia, pasmem, até para publicação da cidade de Formiga. Mas é claro que não haverá reeleição fácil, e talvez, nem reeleição.

Seu aparato marqueteiro faz uso das mais fúteis situações tentando mostrar com sutileza o poder e a importância do prefeito de Divinópolis. Em ocasião recente convocou a imprensa para jactar-se de ter sido eleito Presidente da Frente Estadual de Prefeitos, ou coisa que o valha. Em verdade essas associações de nada valem e nem sequer traduzem importância para o ‘agraciado’ cuja força política resume-se a zero, antes e depois da vírgula. Seu vice-presidente na entidade, o atual prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, era o preferido de Anastasia, porém, estando ele, Lacerda, na listagem dos favorecidos pelo Mensalão de Marcos Valério, viu encolhida a sua condição para vice. O que, de resto pouco ou nada significa. Márcio Lacerda é também conhecido pela compra de votos em Belo Horizonte. De ‘perseguido político’ virou, como boa parte deles, em milionário.

Outro exemplo do delírio publicitário local foi feito quando o Guarani disputou recentemente a torneio mineiro de futebol juvenil, tendo perdido todas as partidas. Não conseguiu sequer um empate. Então veio a sacralização. A Secretaria de Comunicação enviou releases para a imprensa dizendo que a participação do Guarani tinha dado ‘visibilidade nacional’ a Divinópolis. A diretoria do IBIS com toda a carga de humor da equipe cujo slogan é ‘o pior time do mundo’ e que realmente tem visibilidade ainda que pelo lado reverso, não ousaria tanto.

É também um governo que não dá a César o que é de César. Recentemente comemorou-se os dois anos de funcionamento do CREVISA. Obra do governo anterior, claro. Mas na placa comemorativa lá estão os nomes dos ‘autores da obra’, que não poderiam ser outros senão Vladimir Azevedo e equipe. O CREVISA foi totalmente construído no governo anterior. E saibam que a placa é ilegal, do ponto de vista do TSE.

Sou contra, mas nem tanto

Mas o triste de tudo isso são as duas caras do prefeito. Como vereador fazia média e jogava para a torcida, postando-se contra o projeto da terceirização do esgotamento sanitário de Divinópolis. Em seus longos, inflamados e aplaudidos discursos na Câmara Municipal, o então vereador fazia as delícias dos opositores à terceirização, garantindo que a COPASA era empresa inidônea. Fazia questão de citar as cidades que haviam celebrado convênio com a estatal, ao mesmo tempo em que exaltava os municípios que resistiram à entrega. De parte desse governo, foi a maior sujeira que fez com os divinopolitanos. E principalmente com os 30% do eleitorado que elegeu o tucano.

O golpe final no eleitorado, de grande astúcia e dissimulação por parte da administração municipal, se deu com a celebração do contrato de terceirização no dia 29 de junho de 2011, (presente de aniversário para Divinópolis) escondendo a cobrança a ser feita a partir de março de 2013. O motivo para adiar a cobrança é somente um: deixar passar as eleições de 2012. Antes disso, o eleitor estaria magoado e com o sangue em plena fervura por sentir na própria pele o prejuízo que se estenderá por 40 anos. Vladimir Azevedo confia firmemente na falta de memória dos divinopolitanos. Mas claro, ele se defrontará com ela em outubro do ano que vem.

Prefeito Ambientalista

Esses dois ipês, maravilhas da natureza, ficavam de frente à casa do prefeito Vladimir Azevedo. Não se sabe por quê, ele ordenou que eles fossem derrubados.

Obs.

A presente obra será divulgada capítulo por capítulo neste Blog, com postagens nos dias 1º e 15 de cada mês. O livro completo será impresso e distribuído da maneira convencional em maio de 2012.