Divinópolis – O Livro Proibido
Oligarquias ou Máfia?
Nunca em 100 anos de emancipação político/administrativa, Divinópolis se viu numa situação análoga à de agora. A cidade está loteada entre duas oligarquias: Martins e Mourão. As duas fecharam questão em torno do predomínio absoluto da cidade, como se tratasse o município de um feudo, e os cidadãos apenas um complemento que não podem dispensar.
O arremate do acordo aconteceu depois de seguidas reuniões nos bastidores, quando os caciques Jaime Martins Filho e Domingos Sávio dividiram o espólio chamado Divinópolis.
Entenda a situação:
Jaime Martins Filho, o primeiro deputado federal eleito por Divinópolis afastou-se de sua base local. Depois de cinco mandatos consecutivos para o mesmo cargo, tendo expandido seu curral eleitoral pela extensão de quase toda Minas Gerais, parece não enxergar maior futuro no posto onde está atualmente. Quer ir além, para outros altares, sem, no entanto, ter se credenciado através do embate político, das discussões e lutas pelas causas sociais. É um político acomodado, de bastidores.
A eleição do antigo adversário Domingos Sávio parece ter sido a gota d´água para o seu desânimo. Domingos é insinuante, ativo, empreendedor, muito embora falastrão, (ele é a favor da CPI da Corrupção no Congresso, e não se manifesta, claro, sobre as daqui. Corrupção para ele é só nacional! Municipal não!) enquanto que Jaime Filho mostra-se cada vez mais reticente, contido, distante. A indecisão que já era uma característica pessoal do deputado, mostra-se ainda mais aguda depois de enredado na teia dos tucanos. De mãos beijadas entrega seu patrimônio político, como alguém que entrega os dedos para não perder os anéis, numa perfeita inversão da lógica.
Sobre a divisão do espólio esqueceram-se de avisar aos votantes, encarregados de julgá-los a cada eleição. E a de 2012 contém ingredientes muito particulares – como se verá - e não poderá ser manipulada como querem os dois grupos.
Instalados na doce Brasília de tantos percalços, o par de deputados manipula duas marionetes locais bastante manobráveis do ponto de vista político, e esses, por sua vez, administram a chalaça que os cerca. De um modo geral, desempregados eternos ou frustrados de carreira, como acontece em todo lugar. Nesse caso gasta-se um pouco do estoque de fubá.
Jaime Filho controla Fabiano Tolentino e Domingos Sávio manipula o prefeito Vladimir Azevedo. O sorridente Fabiano Tolentino mostra-se desde o princípio um deputado insosso e improdutivo – em visita ‘técnica’ às obras do Mineirão, integrando a Comissão de Obras da Assembléia Legislativa, declarou não ter observado qualquer indício de desvio de verbas naquele processo de reconstrução. Uma simples visita de quem nada entende de edificações, e uma opinião tão decisiva a respeito daquele ninho de marimbondos.
Parece que lhe deram um brinquedo tecnológico que ele admira, mas não sabe manobrar. Tolentino se elegera inicialmente como vereador, distribuindo ingressos de shows para uma juventude alienada, que tanto se lhe dá quem seja eleito – eles querem é rosetar! E o autor deste livro escrevera certa vez uma crônica dedicada a ele ‘Uma estrela sobe’. Quanto arrependimento! No entanto é preciso reconhecer que o rapaz traduz uma simpatia infinita pelo seu sorriso plastificado.
Mas o neo-deputado não se peja e nem se constrange quando vem a público com recursos do contribuinte mineiro para enumerar uma série de ‘feitos’ que não foram feitos, mas que no papel podem render votos. O livreto intitulado ‘nove meses’ (o slogan é, valha-nos Deus todo poderoso, ‘esse faz a diferença!) parece vindo da lua, ou representa o final de uma gravidez que não houve, imaginária.
Tolentino, por sua vez, controla ruma que se faz de desentendida, muito preocupada com o próprio umbigo, na luta pela sobrevivência. Mas já inspirou novos ‘tolentinos’, que doam ingressos, convidam para festas e realizam ‘jornadas de caridade’ de olhos postos nos votos do eleitorado jovem. Os mais maduros e conscientes, porém, não pretendem cometer de novo a besteira.
Por seu lado, o prefeito Vladimir Azevedo abriu mão de toda a sua antiga fleuma para render-se ao peculato. E irá pagar sozinho por isso. É padrinho e garantidor de Simonides Quadros, o tucano que controlou com mãos de ferro e luvas de seda o sistema de calçamento de ruas do município, enquanto houve recursos disponíveis. É o prefeito que mais distribuiu verbas publicitárias aos acólitos e dono do maior reboliço de marketing em torno do projeto mais impopular de sua Administração: a entrega dissimulada e covarde do esgotamento sanitário à Copasa. Logo ele, que quando vereador, era contra.
Como administrador, o prefeito Vladimir Azevedo vem se celebrizando por seguir a bíblia tucana que insinua: mentir, mentir, mentir. Uma mentira dita cem vezes - como já citado anteriormente – vira verdade. Era a tese defendida por Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler e livro de cabeceira do tucanato mineiro. E querem saber porque a cúpula tucana de São Paulo não aprovou e nem aprovará jamais a candidatura de Aécio Neves à presidência da República? Porque não confiam nos tucanos mineiros e muito menos em Aécio.
Resume-se, portanto, no seguinte: aquilo que se configura nas boas ditaduras brancas como oligarquia, transforma-se em máfia quando é empreendida uma articulação temerosa contra um grupo populacional. Não há outra definição mais branda para identificar grupos e facções que operam em sentido contrário às aspirações populares, ainda que conhecedores dos prejuízos que irão causar.
Peculiaridades das eleições de 2012
Um governo insensível não percebe as transformações. Fica cego e absolutamente alheio à realidade que o cerca. O poder, de tão inebriante, alucina e cega.
Aqui se faz uma reflexão sobre a interação candidato/cabo eleitoral e suas consequências. A fragilidade das candidaturas, a ausência de carisma pessoal (Tolentino é uma exceção - bom carisma, pessimamente usado) a falta de competência administrativa ou legislativa, e até mesmo de uma cultura genérica, provoca um fenômeno nocivo à sociedade: o cabo eleitoral.
São figuras do cotidiano político, algumas das quais, politizadas, mas que à falta de boas condições de sobrevivência, - e isto advém da falta de cultura acadêmica que lhe nega bons empregos – abrem mão da dignidade e dos princípios mais básicos.
Cabo eleitoral é um ‘cafetão político’ dentro da sociedade. A classe é capaz de mascarar e falsear sua cesta eleitoral, como se vendesse cosméticos do Paraguai. E fazem isso de olho no futuro. Não no futuro da população, da sociedade, mas sim no futuro próprio, que em caso de vitória poderá vir acompanhado de uma sinecura, um encosto de quatro anos.
Entretanto não se pode confundi-los com os abnegados que agem por instinto e ideologia. Como foram antigamente os petistas, como é hoje boa parte dos integrantes do Partido Verde.
Frase ouvida na Prefeitura Municipal de Divinópolis, de um funcionário veterano para um novato: ‘Fica trabalhando não, fulano! No serviço público a gente não trabalha! Se você fica dando duro aí, mostra que a gente está no ponto morto. Relaxa!!’
Identificados os cabos/eleitorais e suas ações deletérias, fica fácil entender porque o serviço de uma Administração Pública nem sempre funciona como convém. Não é somente a burocracia que emperra os trabalhos. A obstrução vem do próprio sistema, que impõe a presença de leigos (cabos eleitorais) em meio a técnicos e servidores de carreira. Esses, muitas das vezes, lamentavelmente, se reportando àqueles. Os resultados não podem ser piores.
A chinelada
Dentre as peculiaridades anunciadas neste capítulo, está o cerco às associações de bairros, empreendida por parte do PSDB. As eleições de presidentes são objeto das preocupações constantes e zelo permanente. Querem instalar um parceiro/líder em cada bairro. Tratam-nos a pão de ló e presenteiam com micro-computadores, boa parte dos quais, já em mãos dos filhotes. No domingo, 25 de setembro de 2.011 aconteceram eleições na Associação de Moradores dos bairros Afonso Pena e Santa Clara. Nas vésperas o prefeito havia passado por lá, dando tapinhas nas costas e distribuindo abraços. O candidato de Vladimir Azevedo era o morador Donga, acólito e governista de carteirinha. O presidente do PSDB local, Luiz Militão, (petista convicto que virou tucano desde menininho) mais o vereador Rodyson Krishnamurti, percorreram as ruas da região cabalando votos no trabalho de convencimento pela chapa 2, capitaneada por Donga. Fala-se até em pagamento (R$5,00 e R$10,00) em dinheiro vivo por voto de morador carente. Os agraciados, segundo dizem, botavam o dinheiro no bolso e votavam na chapa 1, de Josafá Anderson, que venceu de goleada a disputa: 305 a 129 votos.
Em outros bairros, como São Roque, Quintino e adjacências, a batata governista está assando e a derrota parece se avizinhar. A população anda insatisfeita com a Administração. A Secretaria de Obras tem muito a ver com a situação. Lembram-se daquela promessa da Semoudes de recuperar o muro de contenção na creche do Quintino, onde a cratera continua do mesmo jeito quase um ano depois? A Administração pode esquecer das promessas, mas os atingidos não esquecem.
Mais vereadores
Prefeitura e Legislativo se encarregaram da conspiração que veio pregar mais uma peça nos eleitores divinopolitanos. Em sintonia com a Administração Pública os vereadores votaram em segundo turno o aumento do número de parlamentares para as próximas eleições, como era do desejo de Vladimir Azevedo e também dos nobres edis. Esses, pelo temor de saírem derrotados nas urnas. Imaginam que um número maior de cadeiras os favorece na disputa.
A Vladimir interessa um número maior, já que as siglas de aluguel estão todas debaixo do braço. A matemática é interessante: quanto maior o número de cadeiras, maior o número de candidatos. E mais candidatos significa mais cabos eleitorais para a reeleição. O preço, como se viu, se paga depois, admitindo grande quantidade desses ‘colaboradores’ na folha de pagamentos. A imprensa obsequiosa ganha enormes quantidades de verbas publicitárias. Basta observar as páginas e as grades de cada um dos meios de comunicação ‘oficiais’ para ter a constatação.
O próximo prefeito precisa extinguir a Secretaria de Comunicação, ou reduzi-la para três componentes. Atualmente se for ordenado que todos tomem assento, não haverá cadeiras para todos. São mais de trinta se amontoando em espaços reduzidos.
Os que votaram a favor do aumento do número de vereadores
Adair Otaviano
Anderson Saleme
Antônio Paduano Pereira
Beto Machado
Edmar Rodrigues
Geraldinho da Saúde
Hilton Aguiar
Milton Donizete
Pastor Paulo César
Roberto Pedro Bento
Votaram contra, Edson Sousa e Rodyson Krishnamurti. Heloísa Cerri esteve ausente, por motivo de congresso médico nos EUA.
As 13 cadeiras atuais foram aumentadas para 17.
Novos tempos
Mas desta vez a votação contou com novos ingredientes. Um grupo de jovens interneteiros fez uso da Rede para convocar simpatizantes e eleitores conscientes com a finalidade de influenciar na votação. Lotaram o plenário da Câmara. A preocupação oficial pode ser medida pela quantidade de vezes que o vereador Rodyson se ausentou do plenário para telefonar ao prefeito. Nesses momentos os jornalistas mais gaiatos correm para o setor de imprensa da Câmara e colam o ouvido na porta. Dá para escutar tudo.
Poucos observadores detectaram os efeitos da massificação feita pelos manifestantes via internet, que somada às forças políticas conscientes, impediram que o desastre fosse maior. Boa parte dos vereadores, senão todos os oportunistas que votaram a favor da alteração, pleiteavam o aumento para 21 membros para o legislativo. A mobilização popular provocou o freio inesperado. E assim não foram além dos 17, segundo eles, um número aceitável do ponto de vista da economia interna da Câmara. Essa opinião contradiz o Relatório do próprio legislativo que recomendava a manutenção de treze. O presidente da casa argumentou que os dezessete trarão maior representatividade popular. Felizmente todos sabem que o argumento não encontra respaldo na razão e menos ainda na lógica. Não há representatividade alguma onde os parlamentares são despachantes do prefeito.
Em entrevista à TV caseira, o presidente da Câmara (um dos seis pré-candidatos de Jaime Filho a vice de Vladimir Azevedo) e incentivador do aumento de vereadores, revelou que o STE havia errado em ordenar a diminuição dos elencos de vereadores no país. Eles, os parlamentares de Divinópolis, estavam apenas restabelecendo o status anterior, com dois a menos. Se pudesse dizer a verdade ele diria que brigava para que fossem tantos edis quanto possível, mostrando serviço ao verdadeiro chefe do Legislativo, (o prefeito) por estar de olho na vice. E que não havia necessidade alguma de promover a alteração.
Durante o episódio o mesmo presidente exibiu seu lado intolerante, quando ordenou que as vassouras (ato simbólico) portadas pelos manifestantes fossem retiradas do plenário. O que foi feito.
Durante as pequenas escaramuças verbais, o manifestante Artur Dentista deu mostras da burrice oposicionista. Os representantes de Geraldinho da Saúde, (vereador favorável ao número máximo de vereadores) exibiam faixas (também pacificamente) mostrando a opinião do vereador. Artur exigiu aos berros que os simpatizantes de Geraldinho abaixassem as faixas. O presidente mandou que assim o fizessem. E as faixas da oposição em número muito maior também tiveram de ser enroladas. Com uma oposição dessas o governo não precisa de governistas.
Sobrou do evento o riso debochado de Hilton Aguiar e Geraldinho da Saúde, afrontando a plateia. Diante deles se destacava a placa com os dizeres: ‘O troco virá nas eleições de 2.012.
Particularidades
Até aqui as eleições de deputados faziam aflorar o sentimento de cidadania, com os eleitores pouco se importando com a agremiação, doutrina, ou qualquer outra qualidade do candidato. Houve até reunião na ACID (1993) para administrar o número de candidatos: quem fosse melhor avaliado seria o candidato oficial da cidade. Jaime Martins Filho foi então eleito pela primeira vez com apoio de todos os segmentos da sociedade. Bastava a condição de cidadão divinopolitano, com chances de eleger-se, para que recebesse o voto. Havia um idealismo que aos poucos foi sendo esvaziado pelo próprio comportamento do representante. Aquilo que se restringia ao município e vizinhanças ganhou lugares tão inusitados quanto o norte e noroeste de Minas. Já não havia mais identificação entre as partes. A política de quintal virou política profissional. O remédio seria a Reforma Política, com a inserção do voto distrital. Situação da qual os deputados correm como o diabo da cruz. Uma questão de obviedade: se o parlamentar vê-se queimado em determinado município ele pode correr em busca de outro. Com o Distrital isso se torna impossível. A dependência pontual de uma região fechada faz com que o eleito seja fiel ao mandato, caso contrário ele não se reelege.
Com um estado inteiro franqueado, a base eleitoral é usada pelos deputados apenas como plataforma de lançamento. Esta é a razão pela qual aos poucos eles abandonam as bases (que já estão debaixo do braço) e partem para novas freguesias, maximizando mais e mais a quantidade votos, fazendo imaginar que são parlamentares competentes. Uma coisa puxa a outra.
Mas é a auto-confiança exagerada que leva ao impasse as lideranças políticas que deixaram de conhecer e avaliar a realidade. Há vozes surdas pelas ruas, rumores de insatisfação que se avolumam, responsáveis por processar automaticamente as transformações.
Pela primeira vez as oposições se mostram dispostas a não aceitar a incômoda imposição de dar tempo ao tempo, porque os medalhões só podem colocar candidaturas depois do mês de maio. Na realidade isto quer dizer que os políticos não desejam correr riscos. Precisam conhecer primeiro os desdobramentos e pesquisas para depois se manifestarem. Dependendo das escolhas, pegam os parceiros desprevenidos. E esses se sentem traídos mais uma vez.
As recentes declarações do deputado Jaime Martins Filho sobre postergar as decisões políticas, como de costume, quando na realidade já existe o acordo com o governo municipal do PSDB para as próximas eleições, levam a considerá-lo desde já parceiro dos tucanos, sem necessidade de esperar a undécima hora, em que as oposições estariam desmobilizadas. Mesmo que haja entendimentos posteriores, esses não terão como retroagir ao status de antes.
Jaime Martins Filho faz acordos inaceitáveis contrariando os antigos parceiros, entrando para a órbita do governador Anastasia e seus companheiros de partido. Pode ser o fim da tradicional geração política iniciada em Nova Serrana por seu avô, Benjamim Martins, sustentada posteriormente pelo falecido Jaime Martins do Espírito Santo, pai do atual deputado. Esse tinha posições políticas bastante definidas.
Em Divinópolis a igualdade racial tem a espessura da pele
Surpreende a docilidade dos negros locais para com o chicote que os açoita. Na cidade o racismo, a discriminação racial, social e econômica é exercida de modo bastante visível. Os limites e divisões são reconhecidos à distância. E mais surpreendente ainda é ver como os arianos administram esse distanciamento racial, fingindo abrigar coração abolicionista.
Movimentos sociais como o MUNDI – Movimento Unido Negro de Divinópolis, comandado por um antigo sindicalista, Geraldo Cubu, se dispõe a interagir com agremiações que os apóiem, sejam elas de quaisquer orientações ou vertentes políticas. Atualmente o MUNDI opera sob a batuta do PR de Jaime Martins Filho. Querem verbas e recursos para ações ainda muito pouco claras. Para isso se ajoelham diante dos novos patrões e se aliam aos dominadores, engrossam suas fileiras, ainda que abandonados nos mesmos guetos de sempre. O grande herói da negritude nacional, Zumbi, haveria de revolver-se na sepultura, caso tivesse conhecimento do que vem acontecendo por aqui.
Tudo faz parte de uma dependência extrema do sistema e suas ONGs milagrosas, que antes de ensinar a pescar, dão o peixe. Mais que amparar e valorizar a raça, o MUNDI espreita o futuro político (tem esse direito e deve exercer esse tipo de cidadania) confiando a chave do cofre, ou das urnas, a partidos políticos que nada acrescentam ao movimento ou às suas aspirações. Um se vale do outro. Aquele com recursos angariados da União e esses devolvendo o favor com votos. Ou seja, ao vender a consciência, continuam atados às antigas correntes e troncos do passado. A performance é vergonhosa!
Já os reinadeiros se renderam ao poder econômico e político a troco de dois metros de chita. A tradição agora resume-se em vestir os políticos e suas parceiras de reis e rainhas para festejar as datas comemorativas, tendo como recompensa muita batata e cachaça à vontade.
Não se pode exigir muita consciência política dos batuqueiros. Mas seus dirigentes sabem muito bem quão relapsos se mostram, quando promovem e entregam um movimento puro e singelo nas mãos ávidas de políticos sequiosos por votos. O negro sem consciência vende a própria alma para os brancos. Geralmente por um preço que não merece.
Os que se acharem contrariados por essas afirmações, que busquem por garçons e atendentes pretos nos bares de Divinópolis, ou apresentadoras de televisão, atores, manequins, jornalistas, na mesma proporção do número de negros moradores da cidade. Mas por serviçais não precisará procurar muito. Os negros de Divinópolis são mais oprimidos que em outros locais com a mesma população afro-descendente.
Peleguismo
As bases sindicais de Divinópolis foram assentadas nos patamares de Rede Mineira de Viação, quando os movimentos grevistas se alvoroçavam a cada vez que o pagamento dos ferroviários atrasava. Na década de 1960 houve uma longa paralisação. As oficinas pararam e os operários faziam comícios na avenida 1º de junho, proximidades do Theatron.
Eram movimentos fundados, baseados na falta de pagamento dos salários e outros direitos que os ferroviários começavam a reivindicar. Numa dessas ocasiões o governador de Minas, Milton Campos, açodado pelos auxiliares no sentido de reprimir com violência a greve, virou-se para um deles mais exaltado e respondeu com a sabedoria que lhe era peculiar: ‘não seria mais razoável enviar o trem pagador?’
Hoje os trabalhadores de Divinópolis estão sem a representatividade dos sindicatos, quase todos tomados por pelegos que se eternizam no cargo. São absolutamente servis aos patrões por acordos feitos nos bastidores e vantagens pessoais obtidas com o cargo. São dominados por partidos políticos, quando antes mantinham combatividade.
Um exemplo desse peleguismo é o Sindicato dos Trabalhadores Municipais, o Sintram, ocupado pelo PC do B e sua prócer, Valéria Morato, que abriu mão de seus princípios políticos mais elementares para se curvar ante o PSDB. O motivo? Cargos. Valéria ascendeu ao posto de Secretária Adjunta de Educação e na companhia do pelego, Silvânio Alves, finge defender a classe trabalhadora municipal, que se mantém na mais perfeita letargia.
A última façanha de Valéria Morato foi instalar na Tribuna Livre da Câmara um comunista de Belo Horizonte, com endereço falso de Divinópolis, para impedir a participação de populares na primeira votação do aumento do número de vereadores. Como opositora ao governo de Demétrius Pereira, se esgoelava junto com seus comunistas no plenário da Câmara, em oposição à privatização do serviço de esgotamento sanitário. Hoje faz parte da claque de Vladimir Azevedo (outro que era contra) nas reuniões com que tentam justificar a privatização. A esse respeito é triste destacar a presença de funcionários municipais em horário de trabalho nas diversas reuniões e por quaisquer motivos.
Nos demais sindicatos o mesmo comportamento e a mesma eternização nos cargos. Não se ouve falar em eleições sindicais nesta cidade. Seus dirigentes preferem manter-se no esquecimento e anonimato convenientes.
Maçonaria – interferência política
Vladimir Azevedo, Francisco Martins (prefeito e vice) Jaime Martins Filho, Domingos Sávio, Fabiano Tolentino, (deputados) Edson Sousa e Beto Machado (vereadores) são membros da maçonaria.
Nada contra os maçons, mas parece que nesta cidade, para transformar-se em político de carreira, é pré-requisito pertencer àquela fraternidade.
O problema é que a ordem maçônica guarda certas regras e preceitos, e no meio disso está a exigência de que seja preservada extrema lealdade entre seus membros. O que descaracteriza o sentido antagônico que valoriza a política partidária – observe-se que nesta relação apenas o vereador Edson Sousa é dissidente. O restante comunga as mesmas ideias. E isto é demasiado preocupante, por cristalizar a suposição ‘os maçons contra o resto da cidade’. E são exatamente esses os boatos correntes, dando o sentido de ‘conspiração’ à atuação conjunta dos políticos dentro da maçonaria.
Entretanto, ainda vigora a estimativa de que a irmandade é objeto da manobra política de resultados, e que seus membros tradicionais são postos à margem do processo. Como aquela sociedade é secreta, não há como se certificar das eventuais contradições. A verdade é que a fraternidade maçônica não pode ser catalisadora dos destinos de toda a população.
Mais ilegalidades
A incúria como regra e não exceção orienta o governo Vladimir Azevedo. É sabido, é notório, é lógico, que um funcionário público está proibido de prestar serviços particulares ao órgão no qual está lotado, sob pena de demissão sumária. De modo especial por causa das informações privilegiadas.
E foi com informações privilegiadas da Secretaria de Cultura, onde trabalha sem muita frequência, que a agente cultural e funcionária pública municipal, Selma Bosque, colocou seu time em campo objetivando captar recursos para o setor cultural, com ênfase nas peças teatrais.
Alertado pela imprensa mais combativa, o sacrossanto e inalcançável prefeito municipal fez ouvidos de mercador e a moça continua tão funcionária pública como antes, e captadora de recursos como nunca. A publicidade da Patmoss pode ser conferida atualmente na TV Integração.
É mais uma improbidade administrativa que pode ser debitada na conta do prefeito Vladimir Azevedo, que de certo se imagina acima do bem e do mal. Em qualquer lugar do mundo a atitude de Selma Bosque daria barulho. Mas não em Divinópolis, onde o mal está definitivamente banalizado por sucessivas levas de administradores tucanos.
O também produtor cultural Fernando Camilo pediu prestação de contas da entidade SAB – Sociedade Amigos da Biblioteca, através da Câmara Municipal.
Antes de mais nada é preciso destacar que a SAB, sob a presidência de Inácio Vasconcelos, pretendeu ser uma entidade séria, na sua criação. Figuras importantes da vida literária de Divinópolis, como José Carlos Pereira e Adélia Prado marcaram presença na sua fundação.
O que era um órgão lastreado pelas melhores intenções, é hoje usado pela citada Selma Bosque para finalidades privadas. Por ser amiga e protegida de Vladimir Azevedo, conta com a cumplicidade do Secretário Bernardo Rodrigues, e demais gestores da Cultura de Divinópolis.
Tanto Bernardo, quanto Vladimir, executores musicais apenas sofríveis, não perdem ocasião de exibir-se a cada oportunidade para a claque que os acompanha em cada evento. Esse mesmo cuidado não têm no que se refere à atuação ilegal da amiga Selma Bosque, que continua lépida e fagueira na condução de seus negócios particulares ligados à relapsa Secretária de Cultura.
Pagar para morrer
Nunca antes e nem em tempo algum o assunto havia sido levantado por quaisquer administrações públicas. Afinal de contas os cidadãos pagam contas desde a data do nascimento. E na hora da morte funerais caríssimos para os padrões brasileiros.
Mas a Prefeitura acha que não. Criou então a famigerada ‘Taxa dos Cemitérios’, segundo diz, para manutenção das áreas, muito embora o IPTU urbano cobrado anualmente devesse também ser destinado a esse fim.
Mas a taxa veio acompanhada de uma sutileza bem ao estilo desse governo que dissimula os malfeitos e suas atitudes marginais. Ninguém mais é dono de espaços físicos nos cemitérios. Para quem comprou e pagou uma fração dessas áreas públicas para estar seguro nos momentos mais graves da vida, basta atrasar uma das taxas para ter os restos mortais de seus familiares desenterrados e jogados na vala comum. Sem qualquer aviso; desta vez, sem choro e nem vela.
O absurdo está em curso, em pleno funcionamento, com ossadas já banidas de suas covas no cemitério do centro, mas o silêncio obsequioso impera. Ninguém quer comprometer esta administração que prometeu tanto e tão pouco tem realizado.
FALTAM 18 MESES PARA O INÍCIO DA COBRANÇA DAS TAXAS DE ESGOTO. DEUS TENHA PIEDADE DE DIVINÓPOLIS!
A obra ‘Divinópolis – O Livro Proibido’ está sendo divulgada capítulo a capítulo nos dias 1º e 15 de cada mês, sendo que a edição impressa será distribuída no mês de maio de 2012.