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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O livro proibido – Capítulo VI



De joelhos
Como se verificará neste capítulo, a Administração Pública comandada pelo PSDB procura controlar com mãos de ferro os demais poderes constituídos, e de modo especial, a Câmara. E consegue. Por meios escusos, é certo, mas administra e legisla ao mesmo tempo. A Câmara Municipal de Divinópolis está de joelhos diante do governo tucano. E quais seriam esses métodos? É fácil de explicar.
O nome dessa conspiração é ‘projeto de poder’, alimentado por políticos eleitos e grupos de aproveitadores, que se instalam na Administração, posto que nela está a moeda de troca que o prefeito negocia com aliados e eventuais adversários: cargos. Não existe qualquer tipo de discussão política, programas séros, idealismo, nada. O desejo é fazer exatamente o que o PT de Lula vem fazendo com o país: permanecer no comando por 20 anos.
Assim se verá que o que parece ser uma simples votação de aumento do número de vereadores no legislativo, se transforma com facilidade em guerra entre facções, sem que se leve em conta em tempo algum a população, o eleitor. É uma espécie de divisão do município em capitanias hereditárias.
Outros prefeitos também agiram assim. Mas o atual superou a tudo e a todos. A prefeitura é uma máquina inchada, pesada, sem qualquer agilidade. Por esse motivo as baixas avaliações de Vladimir Azevedo em pesquisas que são imediatamente engavetadas para que o público não tome conhecimento delas. Fala-se em 17% de aprovação e mais que o dobro de rejeição, 38%. Enquanto isso, os prefeitos melhor avaliados de capitais e também de pequenas cidades chegam a 80% de aprovação. Um dos prefeitos regionais que deve receber essa avaliação é o de Carmo do Cajuru, Geraldo César, o Bananeira, que desperta a admiração nos meios políticos de Minas Gerais, tido como um realizador, por excelência.

Mais vereadores
Para abrir o leque de apoios dos partidos sob seu controle, Vladimir Azevedo interferiu diretamente na votação que visava aumentar o número de vereadores na Câmara. O número limite era 21 e esse era o objetivo do prefeito e seus pontas-de-lança dentro do Legislativo. O que as oposições não perceberam, é que por conseguir aumentar o número de edis de 13 para somente 17, os contestadores obtiveram uma vitória espetacular, levando-se em conta os poucos instrumentos à disposição, um deles, os internautas.
Mobilizados, invadiram o reduto dos vereadores e impediram que se consumasse a intentona na sua totalidade. Os vereadores da base governista andam bastante temerosos da ação dessa juventude que resolveu agir. Estão acuados diante da nova realidade. Claro que neste momento as redes sociais estão cuidando de divulgar a verdadeira imagem desses parlamentares, inoculando-lhes o veneno que eles próprios servem à sociedade.
É bom que se diga que aqui não se faz um libelo contra vereadores da base governista. Pelo contrário, um prefeito não pode estar abandonado em sua Administração, sob pena de não governar. O que se faz aqui é citar o exemplo de parlamentares oportunistas, que se vendem por cargos e outros favores oficiais, sem qualquer preocupação com a clareza do mandato. São todos aqueles volúveis que votam contra a própria mãe, se for o caso, para obedecer ao prefeito e sua troupe. E que serão identificados dentro de cada contexto neste livro.
A votação que estabeleceu o número de vereadores foi uma montagem criminosa que ficará na memória dos divinopolitanos que acompanharam o desenrolar da trama com perplexidade e preocupação. Mas não deixou de ser uma vitória das oposições, que impediram o estabelecimento do número máximo de 21 vereadores. São menos 4 cabos eleitorais para o prefeito.



Eleição da mesa diretora
Barbaridade! Simplesmente bárbaro o massacre que o governo impôs às forças contrárias, fazendo uso de expedientes nebulosos e táticas impensáveis para não perder o controle da mesa diretora no seu último ano de governo.
Vamos ao caso do vereador Milton Donizete, que resolveu enfrentar o seu partido e a opinião pública para votar a favor da Chapa 1, formada pelo Rasputin da Administração, Antônio Faraco. E Antônio Paduano, que rasgou os 40 anos de biografia para servir aos patrões. Ambos deverão ser cobrados nas próximas eleições com ações concretas.
Milton Donizete pertence ao PRTB, que elegeu Demétrius Pereira à prefeitura de Divinópolis. Na onda de gaseificar o partido em Divinópolis e ao mesmo tempo agradar ao então prefeito, Donizete, que costumeiramente reduz a política ao seu grau mais rasteiro, mudou-se de malas e cuias para a agremiação comandada em Minas Gerais por Jorge Periquito.
Periquito, ainda jovem, era mais jovem ainda quando apareceu em Divinópolis pela primeira vez. Seu objetivo era fazer a cobertura da Festa da Cerveja de 1997, para o sistema de comunicação da faculdade na qual estudava em Belo Horizonte. Foi recebido por nós, os organizadores, com a hospitalidade própria dos divinopolitanos. Hoje é o presidente estadual do PRTB e ainda mantém debaixo do braço vários partidos anões, como o PRTB. Na época da filiação de Milton Donizete, seguiram seus passos, Fabiano Tolentino, Roberto Bento, e Edmar Rodrigues. De todos eles sobrou apenas Milton Donizete no partido. E com mandato.
No episódio da votação da mesa diretora para 2012, no apagar das luzes de 2011, era para que o vereador votasse com a chapa 2 de Adair Otaviano. Nas vésperas do evento, Donizete já propagava pelas imediações do prédio da Câmara que ninguém iria ‘mandar’ no seu voto. Ele votaria de acordo com a sua vontade e convicções – por vontade pode-se entender que Milton Donizete, por ser um penduricalho contumaz de qualquer governo, tem a filha prestando serviços profissionais no gabinete do deputado estadual, Fabiano Tolentino. Faz parte de um acordo de loteamento de cargos que o deputado mantém com o prefeito Vladimir Azevedo. Com relação à prefeitura não se sabe exatamente quantos cargos detém, por tratar-se de segredo mantido a sete chaves pelas partes envolvidas. Mas estima-se que não são poucos.
A reação dos dirigentes PRTB não se fez tardar. De imediato foi protocolado no TRE a destituição da Comissão Provisória do PRTB em Divinópolis. E já que os tribunais consideram que o cargo pertence ao partido, querem de volta a cadeira de Milton Donizete no Legislativo Municipal.
Mas claro que o vereador tinha conhecimento de que o que em princípio eram ameaças, poderiam vir a se constituir em realidade. Está calçado pelo Executivo Municipal. Dizem que uma Secretaria Municipal o espera caso o desfecho lhe venha a ser desfavorável. Portanto, mais um secretário político, sem qualquer conhecimento técnico, tomando posse em uma das sinecuras concedidas pelo governo municipal. Podem escrever e cobrar: Milton Donizete destituído, cargo garantido na Prefeitura Municipal.
Antônio Paduano
É filiado em um partido que tem proprietário: instalado no PR, Jaime Martins Filho domina o DEM, partido de Paduano. Em andamento está um projeto de poder envolvendo os três deputados, (Jaime Martins Filho, Domingos Sávio e Fabiano Tolentino) e mais o prefeito Vladimir Azevedo. Jaiminho quer se agregar (ou já está agregado) ao grupo do senador Aécio Neves, que por sua vez pleiteia a presidência da República. Jaime Filho quer ocupar o lugar de Aécio no Senado Federal. É legítimo o seu pleito. Acaba de cumprir o primeiro ano do seu 5º mandato. O que não se entende é a sua despreocupação em servir de instrumento de perenização do PSDB na administração municipal – até a perenização é compreensível e aceitável, desde que não obedeça a critérios de desonestidade e ao jogo sujo. A ordem para Antônio Paduano trair os companheiros de Chapa 2 veio diretamente do deputado, que em público lavava as mãos, e nos bastidores manipulava os cordéis.
A renúncia de Paduano, que inviabilizou a Chapa 2, foi protocolado às 6h da manhã do dia da votação, quando já não havia mais nada a fazer. Interessante dizer que o documento foi produzido na prefeitura e conduzido até a Câmara pelo secretário de governo Antônio Faraco, quando tal providência deveria ter sido tomada pelo DEM, e não por estranhos à agremiação.
Com tais e irretorquíveis argumentos, saiu vencedora a chapa de Anderson Saleme, vereador alinhado com a administração. Da refrega ficaram algumas cicatrizes. O prefeito não terá mais a votação de seus projetos votados na Câmara com tanta facilidade. Os componentes da Chapa 2 deverão alinhar-se com os únicos opositores do Legislativo, Edson Sousa e Heloísa Cerri. E está definitivamente deflagrado o processo sucessório.

Aumento de salários abortado
Enquanto os trabalhadores comuns recebem percentuais de aumentos salariais que não ultrapassam os 16%, os vereadores quiseram votar no afogadilho da última reunião do ano nada menos do que 58% de aumentos para eles próprios. Com algumas defecções, como a de Heloísa Cerri, que propõe emenda para fixar os salários que seriam de aproximadamente R$11 mil, reduzindo-os para R$7.200,00. E de Edson Sousa, que é totalmente contra qualquer tipo de aumento.
Mas o que fez o então presidente Pastor Paulo César retirar de pauta o projeto, foi a pressão popular que se tornou insuportável para os governistas. Desta vez foi a ação dos internautas que pelas redes sociais mobilizaram a população, que lotou o auditório da Câmara Municipal. O presidente eleito dificilmente colocará em pauta o projeto no primeiro semestre de 2012. Deverá deixar para depois das eleições de outubro, quando a votação não irá interferir na votação do projeto. Ou seja, mais uma vez um projeto polêmico será votado nas brumas da dissimulação.
O aumento iria beneficiar também o Executivo, cujos medalhões, prefeito, vice, secretários, todos eles receberiam os benefícios a partir de 2013. Como eles estão certos de que serão reeleitos, torceram como nunca pela votação favorável do projeto. Os internautas continuam em vigília permanente contra o aumento de salário dos vereadores. Qualquer movimento nesse sentido estará sendo monitorado pelas redes sociais.

Obs.
A adição de matérias volta a ser semanal. Todas as segundas-feiras.